08 de julho de 2026
Geral

Lions quer conscientizar com ação social

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 6 min

Governador do distrito em que Bauru está situada, Ricardo Conessa conta que atuação do Lions baseia-se na solidariedade.

Por muito pouco o advogado Ricardo Aparecido Conessa não é o que o escritor Nélson Rodrigues chamava de unanimidade burra. No ano passado, quando foi referendado governador do Distrito Lions Clube 8, área em que Bauru está compreendida, apenas um voto foi discordante à sua indicação, em cada uma das duas etapas. Da primeira vez, 132 votaram, na segunda, 122.

Brincalhão, Conessa faz piada com a popularidade. Dizem que foi meu pai que votou contra.

Para o advogado de Garça, o Lions atua em áreas onde o poder público não tem condições de agir. Na entrevista concedida esta semana ao Jornal da Cidade, Canessa ressaltou os avanços que o grupo conseguiu na área de saúde.

O governador do Lions esteve quarta-feira em Bauru para uma série de visitas. Entre elas, ao Centro de Hemodiálise do Hospital de Base, que recebeu ajuda financeira do grupo, boa parte do dinheiro veio da fundação internacional do Lions. Na Prefeitura, Conessa recebeu o título de Hóspede Oficial do Município. Leia a seguir a entrevista com o governador.

Jornal da Cidade - O senhor acha que o Lions rompe com a idéia de que o poder público é o único responsável pelo social?Ricardo Aparecido Conessa - Nós sabemos que pela Constituição de 88, o poder público tem uma gama imensa de obrigações, que não tinha antigamente, pelo fato desta carta política ser mais social. Nós sabemos também que o poder público nem sempre está preparado para dar conta do recado de tantos encargos.

Então, nós estamos sempre procurando subsidiar com as lideranças nas comunidades, principalmente em nível de cidade, que eu acho que é a base de toda nação. E a partir da aí, quando nós percebemos onde há necessidade da intervenção do cidadão ou da comunidade, a gente movimenta-se neste sentido.

Por exemplo, o trabalho que fazemos com conscientização sobre diabetes. É um trabalho que estamos desenvolvendo a longo tempo e hoje o poder público assumiu. Nós não temos que sair pedindo contribuição nas empresas para comprar os equipamentos para fazer a detecção da diabetes. Hoje, o poder público faz isso. E foi, realmente, uma conquista para nós do Lions, que iniciamos com esta bandeira.

JC - Recentemente o Lions viabilizou uma boa ajuda financeira para o setor de hemodiálise do Hospital de Base. Gostaria que o senhor comentasse este processo.Conessa - Em termos internacionais, nós temos uma fundação, a Lions Club Internacional Fundation (LCIF). Entre outros projetos, esta fundação faz um trabalho com diabetes. Desta forma foi conseguido um Centro de Hemodiálise, do qual o LCIF participou com US$ 47 mil. Além disso, os seis clubes de Bauru conseguiram mais US$ 18 mil em campanhas. Desta forma conseguimos contribuir para que este Centro de Hemodiálise se tornasse uma realidade em Bauru e vai servir para toda região.

JC - Qual é a área sob a jurisdição do governo do senhor?Conessa - Vai de Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras até Cacilândia, no Mato Grosso do Sul. São áreas que foram adotadas para efeito de um redistritamento que nós fizemos há quatro anos, aproveitando as regiões administrativas existente. Então você pega esta área da Noroeste, regada pela bacia do rio Tietê e do rio Paraná e depois a região do rio do Peixe, na Alta Paulista.

Se você traçar uma linha reta, partindo de Bauru, você vai pegar algumas cidades que estão na Paulista e Alta Paulista. Então você tem Bauru, Piratininga, Duartina, Garça, Gália, Vera Cruz, Marília, Pompéia, Tupã, Bastos, Herculândia, Oswaldo Cruz, Guarapuama, Lucélia, Flórida Paulista, Pacaembu, Junquerópolis, Dracena e Panorama. Ao todo são 40 cidades e 47 clubes.

JC - Há quanto tempo o Lions existe e qual é o seu objetivo?Conessa - No Brasil, vamos completar 50 anos em abril do ano que vem. Começou no Rio de Janeiro. No mundo, o Lions foi fundado por Melvin Jones, em 1917. Ele era um corretor de imóveis e seguros e resolveu fazer um empreendimento de nível profissional para dar atendimento de solidariedade às pessoas carentes, aos problemas sociais da época. Então, ele reuniu um grupo de amigos e eles fundaram o Lions Clube, cujo lema é servir. Nosso lema principal é nós servimos.

JC - E os integrantes são chamados de leões...Conessa - Na terminologia americana é leão clube, nós temos hoje os companheiros leões e as companheiras leões. E quem não é companheira é chamada de domadora (esposa de associado). Porque todo leão é bravo e tem que ser domado (ri).

JC - O número de associados vem aumentando no seu distrito?Conessa - Todos os clubes de serviço e associações, em nível nacional e mundial estão passando por dificuldades. As pessoas ficam muito vinculadas à televisão, não saem muito de casa, não querem assumir responsabilidades. A sociedade hoje é individualista. Se valoriza demais o ter, o ser. Tanto que foi criado neste 2001 o Ano Internacional do Voluntariado para estimular as pessoas a serem voluntárias. Isso faz com que o clube sofra algumas perdas de sócios e também pelo aspecto econômico.

Em todo caso, nós temos um trabalho hoje do presidente internacional que tem quatro metas a seguir. Uma delas, que é a linha mestra é iluminar os caminhos do serviço. Dentro dessa, ele quer iluminar os caminhos da juventude, este ano foi eleito o Ano Internacional da Juventude em Lions, iluminar os caminhos de retenção e conquista de novos sócios, oferecendo meios para os clubes procurarem na comunidade outros companheiros imbuídos de talentos e dons que Deus conferiu para trabalhar com o próximo.

Outra iluminação que ele quer é os caminhos dos líderes. O Lions oferece hoje treinamento para estas lideranças assumirem o seu papel dentro da sociedade, a sua vocação. Então nós temos seminários, treinamento de líderes emergentes, temos CDs, convenções, que faz com que toda essa liderança tenho um tratamento diferenciado, dentro das perspectivas que nós temos no novo milênio. Onde todas as vocações devem ser direcionadas para o trabalho com o próximo. Este é um dos caminhos, o outro também é muito importante, que é o da conscientização pública.

JC - O Lions já foi uma sociedade secreta como a Maçonaria?Conessa - Toda sociedade tem os seus estatutos, suas regras. O Lions tem a sua reunião aberta. Se você for a uma reunião ao Lions Clube Centro, que é às quartas-feiras ninguém pode impedir você de participar, exceto quando tem alguma coisa mais íntima a ser direcionada.

Nossas reuniões são públicas, abertas, lugar que tem sede social ela fica aberta para a população. Só que para participar da sociedade há necessidade de ser convidado para que a gente possa ter condição de saber quem são aqueles com quem nós vamos conviver. Porque na verdade nós somos uma família, procuramos ser uma família.

Esse secreto de não saber o que se faz lá dentro, nós não temos isso, já está desmistificado. Tanto que nós estamos comparecendo aos jornais, rádios, emissoras de televisão dizendo qual a nossa característica, nossa vocação, nosso objetivo, justamente para dar satisfação para a coletividade.