09 de julho de 2026
Geral

APAGÃO EM PIRATININGA: O POVO APAGA E... PAGA!

João Álvares
| Tempo de leitura: 2 min

O ministro Pedro Parente, coordenador da Câmara (CGE), admitiu anteontem que as tarifas de energia vão subir novamente para compensar os prejuízos das distribuidoras com o racionamento. O faturamento caiu porque o governo obrigou os usuários a cortarem em 20% o consumo, desde o último 1 de junho, e as empresas alegaram que as dificuldades que vêm encontrando para trabalhar podem afetar a garantia do fornecimento. Para tentar amenizar a notícia, Parente teve o cuidado de destacar que estão trabalhando para que o reajuste seja o menor possível e distribuído ao longo do tempo.

Com tantos acontecimentos quentes nos últimos dias, com a invasão da residência do apresentador Silvio Santos pelo seqüestrador de sua filha e o atentado terrorista nos EUA, a imprensa vem dando uma trégua ao Governo Federal nesta questão da crise energética. No entanto, o assunto não está esquecido. A população continua convivendo com o tema em seu dia-a-dia; controla o tempo no banho, utiliza as caras lâmpadas econômicas, abdicou de prazeres e facilidades eletrônicas, convive com ruas na penumbra, como aconteceu em minha nova cidade de 12 mil habitantes que me recebeu de braços abertos - sou o mais novo morador da gostosa e aprazível - acolhedora - Piratininga-SP (tenho duas cidades - Bauru-Piratininga). Lá, o apagão já chegou. Dias atrás, começou por volta das 18h30 e terminou às 20h30. Ninguém soube explicar o por quê e ninguém deu satisfação. Os moradores da minha Piratininga disseram que é só um cachorro fazer xixi em algum poste e pronto, entra em cena o apagão! Mas o que recebe em troca? Se não adere ao racionamento, é pressionado pelo risco do apagão; quando adere, é obrigado a pagar contas mais altas, mais caras para que o fornecimento não seja prejudicado... Parece absurdo, porém, é a realidade brasileira.

Resta saber até quando o Governo Federal vai continuar jogando nas costas (e no bolso) do povo a solução dos problemas que não consegue resolver. Já deve ter cidadão lembrando do período da ditadura, quando era obrigado a engolir medidas governamentais sem que os seus direitos fossem levados em conta. A diferença é que, apesar das autoridades, tentamos viver em uma democracia e o direito do voto ainda é garantido. Parece que só o ministro do apagão não está lembrando disso. (João Álvares)