No afã de atrair os consumidores, saindo do marasmo do desempenho de nossa economia, os empresários estão antecipando o apelo de Natal. A tônica será atrair mais pela beleza e menos pelas promoções. Saem os carros importados, prêmios tentadores, mas muitas vezes ineficazes, e entram os belos arranjos natalinos.
Vivemos um ambiente de incertezas. A Argentina solta pacote após pacote e não é capaz de conquistar credibilidade. Até a cotação do dólar no Brasil já não oscila tanto com o problema argentino (os agentes econômicos se cansaram).
Os EUA continuam atacando sabe-se lá quem. Movimentam a indústria bélica. Cai o nível de atividade lá e com ela a taxa de juros. Aproveitam o momento e aprovam a injeção de US$ 100 bilhões na economia.
Japão e Alemanha vivem momentos de incertezas. A constatação é que temos menor volume de recursos disponíveis no mundo. Aqui no Brasil, contabilizamos as perdas do racionamento de energia. Atraímos menos o capital estrangeiro. Teremos dificuldades em fechar o balanço de pagamentos, apesar de estarmos com superávit na balança comercial (mesmo a custa de menos importações).
Os juros internos geram um crescimento preocupante da dívida interna, mas a inflação está sob controle e temos as bênçãos do FMI dizendo que se precisarmos de mais recursos, receberemos, garantindo que enfrentaremos de forma digna todo o reflexo da crise internacional. Se nos concentrarmos nessas questões, nos retraímos. É nesse contexto que surge a magia do final de ano. Não há quem resista.
Os planos para o Natal e passagem de ano. O fim do ano escolar e as férias se aproximando. O rever as coisas e procurar traçar novos e melhores cenários para o ano que vem. É o lembrar dos amigos e dos parentes.
Enfim, o clima de final de ano abre espaço para a esperança. E o próprio meio empresarial sai do pessimismo e passa a entender que as questões conjunturais são importantes e devem ser consideradas, mas é momento de romper com o ciclo vicioso. Nosso voto é que, cada qual ao seu modo, possa vislumbrar novos momentos neste final de ano, mesmo que seja somente criar expectativas positivas. Aproveite a magia do fim de ano!
(*) O autor, Reynaldo Cafeo, é delegado do Corecon e professor na ITE