08 de julho de 2026
Geral

Transição escolar provoca ansiedade

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Pré-adolescentes sentem intensamente transformações fisiológicas e psicopedagógicas na mudança da 4.ª para a 5.ª série

As transições enfrentadas por pré-adolescentes que estão entre a 4.ª e a 5.ª série do ensino fundamental geram ansiedade e, muitas vezes, problemas escolares. Uma pesquisa realizada pela psicopedagoga Edelaine Nassar Baptista mostrou que grande parte dos alunos de escolas de Bauru sofrem queda no desempenho escolar do final da 4.ª série para o início da 5.ª.

A primeira transformação destacada pela pedagoga referente às crianças que estão nesta fase escolar - e têm, em média, de 9 a 11 anos - é a hormonal. Nos meninos, é a testosterona que começa a manifestar-se, enquanto nas meninas o hormônio responsável pelas alterações é o estrogênio.

Tais mudanças têm reflexo direto no corpo dos pré-adolescentes. Os meninos ganham braços e pernas mais longos e desajeitados. As meninas, curvas mais acentuadas e seios. A menarca, que é a primeira menstruação, é outro agravante dessa etapa, para as garotas. Os meninos ficam muito complexados pelo nariz grande e pela orelha, que são as primeiras coisas que mudam. Eles se acham feios, expõe Edelaine.

A confusão de passar da fase de criança para a fase de pré-adolescência gera uma confusão muito grande na cabeça desses jovens, de acordo com a pedagoga. As emoções ficam instáveis e eles julgam-se incompreendidos. Uma hora eles querem ser crianças, outra hora eles querem ter posição de adultos. Isso gera muito conflito, frisa.

Toda essa explosão de novidades mexe não apenas com o físico, mas com o lado intelectual da criança.

Na escola

Além das confusões e ansiedades geradas pelas transformações físicas, garotos e garotas que estão entre a 4.ª e a 5.ª série sofrem também com as mudanças psicopedagógicas.

Na 4.ª série, existe um professor titular que conhece bem os alunos. A rotina diária em sala de aula permite que ele acompanhe de perto o desenvolvimento de cada criança.

Já na 5.ª série, eles têm de nove a dez professores e as aulas são mais curtas. Eles têm que ser orientados para se auto-organizar em todo esse processo, enfatiza.

Para Edelaine, tanto professores quanto pais consideram o aluno de 4.ª série ainda uma criança. Por isso, acompanham mais de perto a rotina escolar.

Na série seguinte, pais e professores já não os vêem como crianças e lhes dão muita autonomia. Passam, então, a não acompanhar de perto as tarefas das crianças. Isso é muito prejudicial, agrava Edelaine.

A relação com os professores, por sua vez, fica prejudicada pelo menor contato com os alunos.

No relacionamento entre os colegas de colégio, alunos de 4.ª série sentem-se os manda-chuvas por serem os maiores da turma de 1.ª a 4.ª série. Eles que mandam e sentem aquela autonomia, coloca.

As primeiras semanas na 5.ª série normalmente são marcadas por nervosismo, preocupação e sentimento de solidão, segundo Edelaine. Eles sofrem uma cruel perda de status: na 4.ª, eles eram os maiores; agora, eles são novamente os menores e levam desvantagem até na fila da cantina. São rejeitados até o grupo começar a interagir com eles, observa.

O resultado de toda essa transição costuma ser estresse, crises de choro e até mesmo doenças. Na 5.ª série, eles são fregueses número um da farmacinha da escola. Estão sempre com enjôo, dor de cabeça e tontura. Muitas vezes, o médico não consegue encontrar uma causa fisiológica porque o problema é bem psicológico, esclarece a pedagoga.

As dificuldades encontradas pelas crianças podem ser superadas com a ajuda de pais e professores.

Medo da bronca pesa

Entre os alunos da 4.ª série, nota-se uma grande expectativa e ansiedade quanto ao que devem encontrar no ano seguinte. Estou esperando muita dificuldade. Estou com medo da Matemática e de levar bronca na hora da prova, disse Rafael Barddal de Souza.

Alguns estudantes dessa fase escolar têm receio da passagem para a 5.ª série porque sabem que terão maior número de professores.

Surge, então, o medo da reprovação. Acho que vai ser um pouco difícil porque cada hora é um professor. Cada um é de um jeito, acredita Aarão Munhoz.

A rigorosidade dos novos professores é mais uma das expectativas entre os pré-adolescentes da 4.ª série. É o caso de Anderson Alves Ribeiro e Kelly de Conti Rodrigues. Os colegas comentam que se fizer barulho na hora da prova os professores mandam para fora, observou Anderson.

Já o medo de Marcela Benevente refere-se ao conteúdo das matérias, que ela acredita serem difíceis. Eu tenho medo de esquecer, não entender e eles não explicarem de novo, expôs.

Caetano Mazzoni Ranieri e Julho Moreira Gomes temem o tempo reduzido de cada aula. Talvez não dê tempo de fazer a prova. Se acabar o tempo, vai ficar a nota que ficar, disse Julho.

Os estudantes que já estão cursando a 5.ª série confirmam as expectativas e os conflitos sofridos principalmente nas primeiras semanas de aula. Nayara Fernanda Tabanez afirma que a transição foi difícil. Tudo é complicado. Tem muitos professores e muita tarefa. Dá medo de tirar nota baixa, confessou.