08 de julho de 2026
Geral

Hepatite: mal silencioso

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Um assunto que freqüentemente gera dúvidas nas pessoas são as hepatites virais. Existem cinco tipos de vírus que causam hepatite, e apesar dos sintomas serem semelhantes, são diferentes no que se refere à forma de transmissão e à gravidade da doença. Esses vírus são designados por letras: vírus da hepatite A, vírus da hepatite B, C, D e E.

Na fase aguda, os sintomas comuns a todos os tipos são náuseas e vômitos, icterícia (amarelamento do branco dos olhos), urina escura e fraqueza.

As hepatites dos tipos B e C podem levar a formas crônicas, isto é, que evoluem por muitos anos. No início, as pessoas não têm sintomas, sentem-se bem e o diagnóstico só é confirmado se for realizado exame de sangue. Com o correr dos anos, pode-se instalar um quadro de cirrose hepática ou tumor de fígado (câncer), que pode causar até a morte do doente.

O vírus da hepatite C é um vírus assassino, tão perigoso quanto o da aids. Pode contaminar pelo sexo e até pela escova de dentes.

Na década passada, essa doença nem tinha nome. Atualmente, 4 milhões de homens e mulheres estão infectados. É um número equivalente à estimativa de pessoas que contraíram aids, disse o infectologista José Fernando de Castro Figueiredo. Mas as semelhanças terminam por aí. Ao contrário do que acontece com o HIV, o vírus da hepatite C não é eliminado em contato com o ar. Pode viver dias em uma gota de sangue seco, portanto é possível contrai-lo também por meio de uma lâmina de barbear, de um alicate de unha, de uma agulha de tatuagem ou de piercing.

Em contrapartida, seu poder destrutivo não é tão forte: enquanto a aids é quase sempre fatal, a hepatite C mata apenas uma em cada dez pessoas infectadas. E essa estimativa tende a piorar. Isso deve acontecer nos próximos 15 anos, quando os casos de morte terão triplicado, o que resultará em mais óbitos causados pela hepatite C do que pela aids.

Como o vírus mata em silêncio

Até mesmo os médicos continuam em dúvida sobre o modo de ação desse misterioso vírus, não apenas por ele ter sido descoberto recentemente, mas também porque cerca de 70% de seus portadores não apresentam sintomas durante anos ou até décadas após a infecção. E as poucas pessoas que descobrem logo a presença do vírus o fazem completamente por acaso.

Os sintomas são vagos e intermitentes, facilmente atribuídos a outros problemas. Por exemplo, se de manhã uma pessoa possui muita energia e com o passar do dia começa a ficar fraca, a causa pode ser a hepatite C, que pode estar debilitando o organismo por cerca de dez anos. Se for comprovado que é a hepatite C, resolve-se um mistério, porém cria-se outro: como foi contraída a doença.

Além da hepatite C, há outros tipos de hepatites, a A e a B, por exemplo, podem ser prevenidas através de vacinas que podem ser aplicadas a partir de um ano. Na rede pública é realizada a vacinação contra a hepatite B. Desde abril deste ano, essa vacinação foi intensificada e passou a ser aplicada em homens e mulheres até os 19 anos.