09 de julho de 2026
Geral

Feira do Livro poderá ser bienal

Fabiano Alcântara
| Tempo de leitura: 3 min

Organizadores do evento discutirão possibilidade de realizá-lo a cada dois anos. Público de 80 mil pessoas visitou a feira

Os organizadores da Feira do Livro de Bauru vão discutir a possibilidade de transformar o evento em uma bienal. A informação é da irmã Jacinta Turolo Garcia, reitora da Universidade do Sagrado Coração (USC), uma das organizadoras do evento.

Terminada a programação, ontem à noite, pelo menos 80 mil pessoas passaram pelo Centro de Convenções Mixage, de acordo com a assessoria de imprensa da feira.

A reitora da USC, que também é vice-presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), afirmou que ainda não está marcada a reunião para avaliar a feira, quando também deve ser discutida a possibilidade do evento tornar-se parte do calendário dos realizadores, no esquema bienal. O mercado editorial precisa de eventos como esse para ganhar maior visibilidade. Eu penso que é, antes de tudo, um estímulo para que as crianças tornem-se leitoras por toda a vida, afirmou.

Jacinta ressaltou que o evento atraiu um grande número de alunos da rede estadual, 12 mil alunos. Gostaria de destacar esse trabalho, que foi muito bem organizado e funcionou, disse.

Se alguém pensava que esta feira não daria certo, seria difícil, se enganou. Tivemos uma participação excelente. As pessoas se envolveram. Valeu a pena realizar um evento desta envergadura para tratar do livro, do gosto pelo livro, avaliou. De acordo com a assessoria de imprensa da feira, o público de 80 mil pessoas correspondeu ao esperado. A feira foi realizada pela Câmara Brasileira do Livro, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Associação Nacional de Livrarias e Prefeitura de Bauru.

O Governo do Estado investiu R$ 162 mil em cheque-livro para o acervo das escolas. A Prefeitura de Bauru liberou R$ 7,9 mil. Os cheque-livros foram trocados por livros para as bibliotecas das escolas.

Moacyr Scliar

O escritor gaúcho Moacyr Scliar, autor de A Mulher que Escreveu a Bíblia e de outros 55 livros, foi o último autor a falar com o público de Bauru e região na I Feira do Livro de Bauru.

Antes, ele concedeu entrevista para a parceria TV USC e Jornal da Cidade. Muito simpático, Scliar abriu a entrevista se desculpando por ter trazido a chuva do Sul. Neste momento, caía um pé dágua fora do centro de convenções.

Na entrevista, ele comentou a relação dos jornais com os escritores. Scliar, que escreve para o Zero Hora e a Folha de S. Paulo lembrou que o mais recente ganhador do Prêmio Nobel da literatura, V.S Naipaul, fez fama escrevendo para jornais ingleses. A literatura sempre teve espaço nos jornais, aqui no Brasil não é diferente, Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha, todos escreviam em jornal. Alguns dizem que existe diferença entre a linguagem de jornalismo e literatura. Eu não creio que seja bem verdade. Eu acho que, tanto jornalistas quanto escritores, eles gostam do texto bem feito, da frase bem torneada, da palavra colocada no lugar certo. Isso mostra que o jornalismo tem uma dimensão literária, comentou.

Para Scliar, os escritores tem muito o que aprender com os jornalistas. O escritor tem uma obrigação com o leitor. Em primeiro lugar, ele tem que ter um tema interessante, que diga respeito à condição humana. Não precisa ser uma coisa do momento, mas uma coisa que não seja o resultado de mergulhar no próprio umbigo, defendeu.

O escritor também falou sobre sua mais recente obra, A Língua de Três Pontas, sobre a arte de falar mal dos outros. O livro ainda não foi lançado no Estado de São Paulo.