11 de julho de 2026
Geral

O projeto "Ferrovia para Todos", lançado ontem, vai recuperar composição ferroviária, unindo preservação histórica e investimento em turismo para a cidade; Prefeitura vai "adotar" locomotiva.

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 4 min

Projeto Ferrovia para Todos, lançado ontem, vai recuperar composição ferroviária, unindo preservação histórica e investimento em turismo para a cidade; Prefeitura vai adotar locomotiva.

Os amantes da ferrovia em Bauru podem dormir mais sossegados a partir de hoje. Isso se depender do projeto Ferrovia para Todos, um convênio assinado ontem, envolvendo Prefeitura Municipal, Ferrovia Novoeste S/A e Associação Amigos do Museu.

A proposta é envolver toda a população da cidade para que a ferrovia volte a ser parte fundamental da cidade, especialmente em seu caráter histórico, cultural e turístico.

A iniciativa prevê a recuperação e o funcionamento de uma composição ferroviária histórica, que compreende locomotiva e carros de passageiros, restaurante, dormitório e bagagem. A máquina e os vagões, de acordo com o projeto, num segundo momento, circulariam pelo trecho férreo que vai da região central de Bauru a Curuçá, criando na cidade um pólo turístico ferroviário.

Outro ponto do acordo é a criação do módulo II do Museu Ferroviário Regional de Bauru, nos galpões das oficinas da Novoeste, na quadra 1 da avenida Alfredo Maia. Nesses galpões, serão expostos peças de grande porte e vagões que não forem colocados em circulação, como os dormitórios.

Também será desenvolvido o projeto Memória Ferroviária, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que registrará a memória oral dos ex-ferroviários.

Assinaturas

O convênio foi assinado ontem à tarde, na sala histórica da Superintendência de Operações da Novoeste. Muitas pessoas, entre ferroviários, ex-funcionários da Noroeste, políticos e empresários presenciaram a cerimônia.

Saudoso e lembrando seus tempos de ferroviário, o prefeito Nilson Costa comemorou o firmamento do convênio. Finalmente podemos exaltar perante a comunidade uma ação altamente positiva e elogiável desta empresa, disse, sem querer desmerecer a Novoeste.

O superintendente de operações da Novoeste, Paulo Américo Lira de Freitas, disse que o tempo estimado para a entrega da composição é até o final do primeiro semestre de 2002. Se uma empresa adotar cada vagão, o trabalho sai rápido, avalia.

Para o diretor de operações da Ferronorte Participações S/A - holding à qual está subordinada a Novoeste -, Luís Elesbão de Oliveira Neto, o projeto fará a cidade retomar sua posição em relação à ferrovia.

Sabemos que é algo muito importante para a cidade, então apoiamos a idéia desde o início. Se conseguirmos reproduzir a importância histórica que a ferrovia teve para Bauru, nós vamos atrair, com ceteza, algum interesse, algum capital e a atenção ao negócio ferroviário na região, disse.

Orçamento passa de R$ 84 mil

Para viabilizar o projeto Ferrovia para Todos, foram feitos os orçamentos para a locomotiva e vagões. O custo final, tirando mão-de-obra e materiais como tinta, por exemplo, ficou estimado em R$ 84.970,85.

O custo financeiro seria rateado entre empresas patrocinadoras mais recursos obtidos pela Associação de Amigos do Museu com venda de camisetas e adesivos da campanha. A Associação ainda fornecerá mão-de-obra especializada de ex-ferroviários.

A Novoeste entrará com a recuperação dos mecanismos necessários para a movimentação da composição (truques, rodeiros, freios, etc.), além de disponibilizar as linhas férreas e instalações físicas para a guarda da composição e para abrigar o módulo II do Museu.

À Prefeitura caberia a mão-de-obra e serviços de marcenaria, serralheria e instalações elétricas, bem como gerenciar o projeto como um todo.

No entanto, segundo informou o secretário de Cultura, Sérgio Losnak, a Prefeitura resolveu puxar a fila dos investidores no empreendimento e vai adotar a locomotiva. O valor estimado para a recuperação é de R$ 29.354,16, isso só para a parte da caldeira.

Trata-se da locomotiva a vapor de número 278, do fabricante norte-americano Baldwin Locomotives Works, de 1919. A máquina tornou-se parte do acervo do Museu Ferroviário por um convênio entre a Prefeitura e Rede Ferroviária Federal, em 1995.

A recuperação total compreende a caldeira e suas tubulações mais serviços de carpintaria, pintura, tapeçaria, parte elétrica, vidraçaria e extintores.

Toda a composição a ser recuperada encontra-se em processo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

Participação aberta

Toda a população foi convocada pelo projeto para colaborar com a recuperação da composição histórica, sejam empresários - com apoio financeiro, que terão suas marcas estampadas nos vagões - ou mesmo pessoas dispostas a colocar a mão na massa, em trabalhos de carpintaria, marcenaria, mecânica e outros serviços.

Os recursos obtidos serão gerenciados pelo Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário Regional de Bauru, do qual fazem parte ferroviários e representantes da Prefeitura. Quem quiser ajudar deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura, na avenida Nações Unidas, 8-9 ou pelos telefones (14) 235-1072 e 235-1092.