08 de julho de 2026
Geral

RELEMBRANDO A EX-NOB

(*) Vivaldo Pitta
| Tempo de leitura: 1 min

Quando o trem de passageiros, prefixo P-4, da ex-NOB, trafegava entre as cidades de Glicério e Penápolis, no dia 17 de janeiro de 1941, o chefe de trem Joaquim Caetano, 42 anos de idade, alto e bastante forte, de cor escura, recebeu diversas reclamações de passageiros sobre um sanfoneiro que viajava num dos carros (vagões) de classe.

Advertido pelo menos umas três vezes o infrator voltava a importunar os demais colegas de viagem, tão logo o chefe do trem se ausentava do vagão.

Assim que o trem deixou a estação de Penápolis, o chefe Caetano, irritado e bastante nervoso, se aproximou do passageiro e disse:

- Levante-se e siga-me!

O tom ameaçador da voz do chefe Caetano fez com que o passageiro apanhasse rapidamente sua sanfona e seguisse o ferroviário.

Quando passavam de um para outro vagão, já na plataforma do veículo, o chefe Caetano segurou-o fortemente pelos colarinhos e olhando nos olhos do sanfoneiro com muita raiva, falou bastante alto:

- Então, amigo, você gosta de perturbar os outros... não é?

Antes mesmo de qualquer reação ou resposta, o passageiro foi jogado para fora do trem, com a sanfona nos braços, no momento em que o trem vencia o aclive bastante acentuado na chegada da estação de Urutágua.

Ferroviários antigos da ex-NOB certamente irão se lembrar desse fato que, por muito tempo, foi motivo de piadas ou de gozação quando, para se pôr fim a um desentendimento, um terceiro se aproximava e dizia:

- Aí vem o Caetano!

(*) Vivaldo Pitta - RG: 6.028.556