08 de julho de 2026
Geral

À ISOLINA BRESOLIN VIANNA

(*) Gizele dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

À ISOLINA BRESOLIN VIANNA

Considerei sua carta, Isolina Bresolin Vianna, publicada em 8/11/01, vexatória à instituição que representa (Academia Bauruense de Letras). Uma verdadeira obra-prima de literatice que chegou a me fazer questionar a eficiência dos critérios usados pela ABL quanto à seleção de seus ilustres beletristas. Minha sinceridade me obriga a dizer que poucas vezes tive, em uma leitura, tamanho desprazer sustentado e alimentado pela mais absoluta indignidade.

...O título do tal artigo é Todos os homens são iguais, que faz menção a uma propaganda veiculada nos comerciais televisivos, os quais você os classifica categoricamente como sendo uma verdade lapidar e concorda plenamente com o tal título. Eu te digo que se você se der ao trabalho de pesquisar índices sociológicos, você verá que tal verdade lapidar inexiste absoluta e completamente. Se isso lhe for muito trabalhoso, basta que você abdique por alguns minutos de sua possível misantropia e visite esta cidade, constatando as gritantes desigualdades sócio-econômicas as quais se refletem indiscutivelmente, nas diferenças intelectuais. Então, por que existem seguimentos da sociedade que estão propondo que se reserve vaga em universidades para jovens da raça negra?. A resposta a esta pergunta é excessivamente óbvia. Qualquer cidadão, com um mínimo de consciência histórica saberia respondê-la. Recomendo que você dispense algumas horas do seu acadêmico tempo para lograr ciência de tal questão. Sugiro que você comece pelo significado léxico das palavras escravidão, conseqüência e capitalismo.

Quanto à sua infundada citação de que se por acaso serão eles (os afros) inferiores em capacidade, inteligência e aprendizado nem me darei ao trabalho de resposta, dada à minha imensa indignidade e absoluta compostura. Os homens não são iguais. Esta é a grande verdade lapidar. Se a desigualdade é um fato, então A igualdade que consiste em que todos de todas as cores tenham a mesma oportunidade enfrentando os mesmos obstáculos para que comprovem sua capacidade, cada um de per si, sem privilegiar este ou aquele, é absolutamente demagógica.

A cota para afros descendentes nas universidades públicas, embora você considere que seja um privilégio, eu lhe digo que não é mais que um direito legítimo e moralmente incontestável, uma vez que o principal problema desta questão não é a estética étnica tal como, estranhamente, seu raciocínio acadêmico se limitou a explicitar em todo seu artigo. Não é o fato da carência ou excesso de melanina (pigmento que dá cor à pele). Trata-se, especificamente, da questão sociológica pura e simples. Pra terminar, recomendo que repense quanto ao peso de uma caneta e lhe garanto que se por um único minuto eu me privasse da minha compostura e ignorasse as normas éticas quanto à edição e publicação de um artigo nesta coluna, juro por deuses, fadas, gnomos e querubins que lhe diria Onde é que se colocam as vocações, tendências e aptidões...

(*) Gizele dos Santos - e-mail- gizeledos.santos@bol.com.br