08 de julho de 2026
Geral

Dupla quer marcar a música sertaneja

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 5 min

A dupla Rick e Renner é a última atração de peso nacional a se apresentar na Grand Expo Bauru 2001. O show de hoje deve trazer grandes sucessos e músicas do mais recente CD, É Dez É Cem É Mil, o oitavo da carreira da dupla.

Os dois vêm grandiosos, com uma equipe de 40 pessoas, entre cenógrafos, músicos, coral e bailarinos para mais de duas horas de show.

Amanhã, a programação de shows traz, às 18 horas, apresentação da banda marcial da escola Ernesto Monte. Às 21 horas, show de pagode com o grupo Evolusamba e logo depois, com o grupo Sereno.

Entrevista

Geraldo Antonio Carvalho e Ivair dos Reis Gonçalves, nomes verdadeiros da dupla, começaram a carreira em Brasília. Encontraram-se há 16s anos, quando Rick fazia solos na noite da capital federal.

A dupla Rick & Renner conversou com a reportagem, numa entrevista exclusiva, concedida em recente visita ao Jornal da Cidade. Leia trechos a seguir, onde falam de sua carreira, do trágico acidente envolvendo Renner e do futuro da música sertaneja.

JC Cultura - O que vocês têm a dizer sobre o boato de que a dupla ia acabar? Renner - Nós vamos continuar para sempre, até morrer. Só se Deus nos tirar um do outro, por vontade dele. Vamos cantar até o fim, juntos.

JC Cultura - Vocês já venderam 5 milhões de discos oficialmente. O que acham da pirataria? Renner - A vantagem é que o disco pirata chega a lugares que os discos da gravadora não chegam, vai de barco, canoa, vai de qualquer jeito. Uma coisa que eu acho que vai acontecer é que vai haver ainda um consenso entre os piratas e a gravadora. São dois lados muito fortes que ainda vão se entender.

Rick - Esses dias eu ouvi um cara dizendo que estava na hora de legalizar a pirataria. Se legalizar não é mais pirata (risos), vai perder a graça.

Renner - O lance é a qualidade. Veja o que seria legal: se os produtores de discos piratas tivessem qualidade suficiente, como as gravadoras, poderia ser até terceirizado. O mercado ia se abrir em duas opções de prensagem para mil. Ia ter oferta, poderia trabalhar com preço mais barato e o próprio artista poderia prensar seu disco.

Rick - Poderia ser uma concorrência leal.

Renner - Eu prefiro pensar assim do que pensar em termos jurídicos. São crimes de pequenas proporções, que ficam em arquivo.

JC Cultura - A dupla tem carreira internacional? Rick - A gente esteve nos Estados Unidos no ano passado, fizemos shows lá, para brasileiros, americanos e pretendemos fazer algo voltado para o mercado latino, em espanhol. O que a gente quer, não sei se você concorda comigo, é que a música sertaneja nunca foi citada num contexto de música brasileira em qualquer tipo de premiação. Ela sempre é deixada de fora, ela esbarra nesse preconceito. O que a gente é fazer um trabalho para marcar nossa carreira e a música sertaneja. A música sertaneja tem muitos talentos e valores. Hoje, os grandes centros consomem a música sertaneja, é a música mais popular do Brasil e por que não ser também chamada de música popular brasileira? A gente quer é isso, fazer um trabalho diferenciado no mercado.

JC Cultura - Para isso, a dupla precisa imprimir uma marca própria. Qual é a marca do Rick & Renner hoje? Rick - O Rick & Renner é um contexto geral de tudo, cara. Nós somos diferentes vocalmente falando, visualmente também, temos uma imagem totalmente diferente do que há no mercado, em termos de música sertaneja e somos diferentes no conceito do pensamento. Eu acho que a gente ainda pode crescer muito a nível musical.

Renner - Foi exatamente na audácia de gravar Moleca, Cara-de-Pau, fugindo dos padrões, que conseguimos destaque. Isso é que dá nossa versatilidade, se a gente canta um forró fica legal, se cantamos um axé fica legal, música de raiz, fica legal. Esse é o grande presente que Deus nos deu.

JC Cultura - Sobre a história do acidente, envolvendo o Renner, o fato de serem famosos ajuda ou atrapalha nessas horas? Renner - Quando você fala sobre o acidente comigo, aí você fala com o Ivair (nome verdadeiro de Renner). Porque na hora em que aconteceu o acidente, era o Ivair...

Rick - Respondendo à sua pergunta, atrapalha. Cai uma responsabilidade dez vezes maior em cima dele porque ele é o Renner.

Renner - Eu concordo. A gente, por ser artista e por ser muito mais visado em todos os sentidos pelas pessoas da sociedade... não é por você ser artista que você deixou de ser ser humano. Então, como ser humano, quando me falam sobre isso, eu não falo como Renner, porque naquela hora foi muito ser humano, foi família, foi dor, pensei em desistir de cantar. Quando se fala desse acidente, eu não consigo nem relacionar à minha carreira. Houve duas semanas em que não existia nada, a não ser aquele negócio na minha cabeça e as famílias.

Depois você começa voltar seu lado emocional e você começa a ouvir o que os outros estão dizendo. Mas naquela hora, se você tiver dois segundos para decidir o que você quer, se me perguntassem: você vai cantar?, eu responderia não. Mas o que me traumatizou em relação a parar de cantar foram as estradas. Foi eu ter que viajar, foi saber que eu teria que passar pelo corredor polonês que é a imprensa, as coletivas, que a gente se desgasta. Você fica igual ao Cristo carregando a cruz e os outros dando chibatadas atrás. Se eu fosse uma pessoa normal, eu poderia até ter sido preso, mas não estaria com esse monte de mosquitos me ferroando. Eu passei por momentos muito difíceis. Mas valeu, porque minha vida mudou totalmente.

Serviço

Rick & Renner, hoje, 22h, na Grand Expo Bauru 2001. Abertura dos portões ao meio-dia. Ingressos: R$ 10,00. No Recinto Mello Moraes, av. Comendador José da Silva Martha, quadra 36. Informações: 236-1040.