08 de julho de 2026
Geral

EU ESCREVO, E VOCÊ?

Angelo Ricardo de A. Guarnieri
| Tempo de leitura: 3 min

Afinal, o que é, ou melhor, o que significa o ato de escrever? Qual a finalidade que buscamos quando escrevemos alguma coisa? Por fim, escrevemos por escrever, ou isto é um dom daqueles que foram doados por Deus ou simplesmente é um trabalho como qualquer outro, onde todos são capazes, desde que se dediquem, estudem as regras da gramática, disponham de um tempo e um cérebro muito fértil?

De todas essas questões, ficarei apenas com uma resposta, e para isso me basearei num grande poeta (O poetinha), Vinícius de Moraes, quando ele próprio define a crônica, Sua obrigação é ser leve, nunca vago, íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo dágua em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para satisfação real dos que nela matam a sede, desse trecho não farei nenhuma tese a respeito, nem é essa a minha intenção, pois para isso seria preciso um estudo muito mais aprofundado, ainda mais tratando de quem! Faço uso apenas um pouquinho de suas grandes idéias e antes que eu me esqueça. Peço licença ao Vinícius, pela audácia de fazer uso de sua grandiosa obra, para uma pequenina colocação das minhas idéias, mas tenho certeza que você muito me engrandecerá, ou melhor, só de conhecê-lo já sou grande.

Eis então a importância de citar Vinícius, tentarei ser breve, mas não incompleto, e é daí que ele mata a charada do poder da escrita. Todos nós somos capazes de escrever aquilo que acreditamos, mas para isso precisamos nos sentar junto de uma folha de papel e caneta e um cérebro totalmente livre de ocupações, e desse modo nos colocando de corpo e alma na idéia almejada e iniciando assim o trabalho. Chamo o ato de escrever de trabalho, porque não basta apenas escrever, é preciso sabê-lo fazer, afinal escrever todos podem, mas ser lido é outra coisa, e é isso que todo escritor espera, ser lido, não importa o resultado, isso já é um quesito de segundo plano.

Quanto aos críticos, não farei nenhuma menção neste momento, ou melhor, para não dizerem que fui omisso quanto à importância deles, deixo uma citação de Aristóteles, quando ele diz, que a mulher é um homem incompleto, então contemporizando essa idéia, poderia dizer que críticos são escritores incompletos, mas a minha intenção não é essa, mas, falar da plenitude de se escrever, afinal concordo com Vinícius, temos que buscar o íntimo e não destruí-lo, jamais pessimista, e somente assim ajudaremos na construção de um mundo melhor, e essa é a mais importante missão da escrita, ajudar a raça humana para uma melhor convivência, pois, é dela que todos nós bebemos para nos saciarmos de conhecimentos, por isso, ela deve ser pura, para não morrermos contaminados.

Desse modo, acredito ter alcançado meu objetivo, mas vou falar o último ato na minha pessoa. Não poderia negar minhas influências, pois todo ser humano que se preze não é formado apenas de si próprio, mas de uma humanidade toda e isso somente a escrita pode proporcionar, e é o que eu estou fazendo neste momento, trabalhando para os próximos humanos, que dela se saciarem, que dela verem luz onde não há. Isso é importante, eu fiz e faço, a crítica, é outra crônica. (Angelo Ricardo de A. Guarnieri - RG. 28.681.135-6)