08 de julho de 2026
Geral

Justiça bloqueia os bens de ex-prefeito de Ibitinga

Eduardo Xavier
| Tempo de leitura: 3 min

Repórter da Tribuna / especial para o JC

A Justiça concedeu liminar determinando o bloqueio e seqüestro de bens do ex-prefeito de Ibitinga, Rossevelt Antonio de Rosa (PMDB), e de outras 44 pessoas incluídas em processo de improbidade administrativa movido pelo Ministério Público (MP). Eles são acusados de integrar um esquema de corrupção dentro da Prefeitura. A ação de reparação de danos determina o ressarcimento de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Entre os bens bloqueados estão equipamentos de duas emissoras de televisão uma em Ibitinga e outra na cidade de Prata (MG) - e de três emissoras de rádio - todas em Ibitinga. Pelo menos oito familiares do ex-prefeito - ex-esposas, filho e namorada - também tiveram os bens bloqueados pela Justiça. Além deles, assessores, secretários e empresas prestadoras de serviços estão sendo obrigadas a devolver bens que, segundo o Ministério Público, foram conseguidos de forma ilícita.

Além do bloqueio de bens, a juíza da 2ª Vara Cível de Ibitinga, Rossana Tereza Curioni, determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-prefeito e das pessoas envolvidas no esquema de emissão de notas frias.

Em entrevista à Tribuna, o promotor de Defesa dos Direitos do Cidadão, Mário Suguiyuana Júnior, contou que somente em 1999, Rossevelt teria desviado da Prefeitura R$ 575 mil para as contas da atual companheira, Zelinda Elza Nicola, das ex-esposas Delazir Pereira Couto e Rosa Ticianel, e de um filho menor de idade.

O promotor iniciou a investigação em 1998, após denúncia apresentada ao MP pelos vereadores Francisco das Chagas Azevedo (PT), Olaerte Constantini (PL) e Osias Soares de Oliveira (PT), que não foi reeleito nas últimas eleições municipais. O processo de improbidade administrativa contra o ex-prefeito tem cerca de 10 mil folhas. A ação também pode resultar em multa e cassação dos direitos políticos de Rossevelt.

Segundo Suguiyuana, os bens do ex-prefeito que já foram indisponibilizados e seqüestrados pela Justiça são duas casas, apartamento, terreno, chácara, veículos, jóias, além de equipamentos das duas emissoras de TV e das três rádios que operam conjuntamente no Centro Paulista de Rádio em Ibitinga. De acordo com o promotor, até agora, pelo menos 100 carros de propriedade do ex-prefeito e das 44 pessoas acusadas de envolvimento no esquema de corrupção já foram apreendidos. O despacho que decretou o seqüestro dos bens de Rossevelt e dos demais envolvidos tem 250 folhas. A Justiça solicitou o apoio de três delegados de Araraquara e de investigadores para fazerem as apreensões.

Conforme Suguiyuana, muitos das propriedades do ex-prefeito estão em nome de familiares e de pessoas de confiança dele. Como uma casa no Jardim Eldorado, bairro nobre da cidade. O promotor aponta, por exemplo, que a emissora de TV em Prata foi comprada por Rossevelt, mas o pagamento teria sido realizado por Gladson Vieira, diretor da Associação Cultural e Artística de Prata (Ascap). O MP concluiu que a emissora estaria sendo utilizada para lavagem de dinheiro desviado da Prefeitura de Ibitinga.

Consta no processo ainda que Rossevelt teria desviado R$ 647,8 mil de convênios com o governo do Estado para a construção de um centro cultural, um ginásio poliesportivo, duas pontes rurais, praça pública, banheiros públicos e um pavilhão de exposições.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ibitinga, a dívida herdada da administração passada pelo atual prefeito da cidade, Florisvaldo Antonio Fiorentino (sem-partido), foi de aproximadamente R$ 8 milhões. Rossevelt não foi encontrado para falar sobre o assunto. A reportagem o procurou em sua residência, no Jardim Eldorado, em Ibitinga, telefonou várias vezes e não obteve retorno do ex-prefeito.