08 de julho de 2026
Geral

Impasse da municipalização pára Ambulatório

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de médicos no Ambulatório de Especialidades de Bauru, da Direção Regional de Saúde (DIR-10), continua sendo um problema no atendimento às necessidades básicas da população. A informação já havia sido publicada pelo JC no início do ano. Desta vez, o problema recai sobre o impasse da Municipalização Plena da Saúde.

As reclamações são inúmeras. O quadro reduzido de funcionários no ambulatório gera esperas que podem chegar a 60 dias, de acordo com funcionários. Pacientes afirmam que já tiveram que aguardar até quatro meses para uma consulta com um especialista.

O Estado não está repondo os profissionais transferidos, aposentados, exonerados e os casos de falecimento. Os problemas mais graves são com a Neurologia, Endocrinologia e Cardiologia. As duas primeiras têm apenas um especialista para atender à demanda de Bauru e a região da DIR-10, que abrange 41 municípios. Quanto à Cardiologia, o Estado não dispõe de médico contratado para atender à população no ambulatório. Uma médica emprestada da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) ameniza a situação atendendo duas vezes por semana no local.

Rubens Lacerda, morador do Jardim Araúna, já havia denunciado no início do ano a falta de cardiologista para atender sua esposa, Iracema Silva Lacerda, que sofre de cardiopatia grave. Ele afirma que, depois de quase um ano, seu problema ainda não foi solucionado.

Periodicamente, Lacerda paga consulta particular para que sua esposa receba acompanhamento médico. A Saúde em Bauru está difícil. A cardiologista que está aqui só atende pelo Hospital de Base. Contratado não tem ninguém, enfatiza.

Contratações

O diretor do Ambulatório de Especialidades da DIR-10, Eldo Macedo Possas, conta que o problema são as contratações de médicos. Temos tentado, tentado, mas os governos federal e estadual não abrem concursos, salienta.

Para Possas, o impasse no processo de Municipalização Plena da Saúde é mais um obstáculo à contratação de especialistas. Existe uma estratégia de política de saúde. Recebemos recursos para reforma do prédio e para materiais, mas não há contratação. A Secretaria Estadual de Saúde pretende municipalizar tudo e repassar recursos para que a Prefeitura assuma o papel da Saúde, acredita.

O diretor do ambulatório confirma que principalmente nas especialidades neurologia e endocrinologia a espera chega a ser de dois a três meses.

A ortopedia não é apontada como um problema grave pela direção do Ambulatório de Especialidades. Apesar disso, Ana Maria Chagas Oréfice Pereira, moradora do Parque Nova Esperança, esperou cerca de dois meses para ser atendida por um especialista. Faltam médicos. Entra um de férias e não colocam outro no lugar. Minha coluna dói e eu fico tomando remédios para agüentar até o dia da consulta, reclama. A ortopedia não tem espera. É que a demanda é grande, rebate o diretor do ambulatório.

A baixa remuneração dos profissionais é outro aspecto apontado por Possas como agravante. Os profissionais, na maior parte das vezes, recorrem a plantões e dupla ou até mesmo tripla jornada para complementar a renda.

As parcerias com médicos da AHB e as tentativas de transferência de funcionários de outras cidades do Estado para Bauru seriam a esperança de um atendimento razoável no ambulatório, de acordo com o diretor.

DIR-10

O diretor da DIR-10, Flávio Badin, reafirma o problema das contratações de profissionais por parte do Estado. É pouco médico no Ambulatório de Especialidades, só que o Estado não está contratando pessoal, diz.

Segundo Badin, não há previsão de contratação e o problema é parcialmente solucionado através de parcerias com a AHB e Prefeitura Municipal.

Municipalização

A Municipalização Plena da Saúde, de acordo com a secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, é uma questão de tempo. Ela acredita que o principal impasse refere-se ao financiamento, que pode passar ou não pelo Município.

É complicado porque envolve política de Saúde. O dinheiro vem carimbado; é do hospital. Mas nós insistimos em que ele entre pelo Município porque, assim, nosso orçamento aumentaria e ajudaria nas contratações explica Eliane.

A secretária reforça que a intenção da Municipalização foi declarada no início deste ano e que, no momento, está havendo uma discussão sobre revisão de teto financeiro. Quando fala-se em dinheiro, o processo emperra. Isso, o Estado e o Ministério da Saúde terão que resolver juntos, frisa.

Eliane acredita que o prazo estipulado pelo Ministério da Saúde para a conclusão do processo de Municipalização da Saúde - dezembro deste ano - dificilmente será cumprido.