08 de julho de 2026
Geral

Sem preventiva, carcereiro seria solto

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Prisão provisória venceria à meia-noite e juiz não havia apreciado o pedido da preventiva de carcereiro do Cadeião.

Até as 18 horas de ontem, a Justiça não havia apreciado a solicitação de prisão preventiva feita pela Polícia Civil para o carcereiro Fernando César Rodrigues, acusado de ajudar no resgate que culminou com a fuga de 89 presos da Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, no último dia 11. Como o mandado da prisão temporária de Rodrigues, recolhido no Presídio da Polícia Civil, em São Paulo, venceria à meia-noite de ontem, ele deveria ser colocado em liberdade.

O inquérito policial instaurado pela Delegacia Seccional de Bauru para apurar a fuga no Cadeião apontou a participação de Rodrigues, de dois presos que fugiram no dia 11, sendo que um deles foi recapturado, e de um ex-presidiário que, no dia da fuga, já estava em liberdade. O delegado corregedor Antônio Carlos Piccino Filho, que conduziu o inquérito concluído anteontem à tarde, pediu a prisão preventiva dos quatro.

Ontem, o processo foi analisado pelo promotor Paulo Sérgio Foganholi e encaminhado, no final da tarde, ao juiz da 1.ª Vara Criminal, Benedito Okuno, que até as 18 horas não tinha expedido a sentença. O advogado de Rodrigues, Carlos Alberto dos Rios, disse ao JC que obteve a informação de que o promotor opinou contrariamente à prisão preventiva de seu cliente.

A decretação ou não da prisão preventiva de Rodrigues e dos outros três denunciados pela Polícia Civil será decidida pelo juiz, possivelmente hoje. Para Rios, seu cliente está preso injustamente. Ele disse que encaminhou ao promotor e ao juiz que analisam o caso o extrato bancário da conta de Rodrigues dos últimos 60 dias anteriores à fuga.

Com o extrato, Rios quer provar que Rodrigues não recebeu dinheiro para ajudar na fuga, versão apresentada pelo ex-presidiário Douglas Rogério Reducino, também indiciado por participar da ação. Em depoimento, Reducino disse que o carcereiro pouco antes da fuga, por telefone, avisou o grupo que fez o resgate que aquele era o momento de agir. Em troca, segundo o ex-presidiário, Rodrigues receberia R$ 15 mil.

O carcereiro nega que tenha ajudado o grupo a fazer o resgate. Ele afirma que foi abordado por dois homens armados, que o ameaçaram. O advogado afirmou que o extrato bancário mostra que não houve nenhum depósito vultoso na conta de Rodrigues nos últimos 60 dias. Rios anunciou que entrará com ação contra o Estado por reparação de danos morais.

Celular é apreendido

O telefone celular do carcereiro Fernando César Rodrigues foi apreendido pela Polícia Civil no último sábado. Laudo da Polícia Técnica enviado ontem ao delegado corregedor Antônio Carlos Piccino Filho aponta que, no dia da fuga, o aparelho recebeu duas ligações - uma às 9h30 e outra às 22h30 - de um telefone público.

Segundo o ex-presidiário Douglas Rogério Reducino, as ligações recebidas por Rodrigues era do grupo que fez o resgate, feitas de um telefone público perto de sua casa. O laudo também apontou que, pouco antes da meia-noite, o telefone de Rodrigues foi usado para fazer uma ligação para um número de telefone celular da Capital, que agora está sendo investigado.

O aparelho pertencente a Rodrigues foi encontrado numa gaveta de um móvel da Cadeia Pública de Bauru. À polícia, o carcereiro havia dito que seu celular havia sido roubado. Piccino Filho explicou que a Polícia Civil vai investigar a quem pertence o celular para qual foi feita a ligação a partir do aparelho de Rodrigues momentos antes da fuga.