É muito triste ver o início do século XXI ser marcado por atentados e guerra. Sem dúvida que o ato terrorista praticado em Nova York foi bárbaro. Porém, a reação americana com os ataques ao Afeganistão não são menos reprováveis, já que são praticados por um estado democrático e as consequências serão mais catastróficas, não apenas pelas vítimas civis diretas dos ataques, mulheres e crianças, que já morreram, e em outras partes do mundo, com turbulência política nos países islâmicos, revoltas internas e afloramento de conflitos regionais.
Lastimável também perceber que o ataque americano ao Afeganistão em nada vai atenuar o problema do terrorismo, assim, pelo contrário, vai aumentá-lo, uma vez que o terrorismo não parte de um determinado país mas está infiltrado em todo o mundo e o ataque servirá para criar alianças entre grupos terroristas, muitos dos quais são inimigos entre si, e novos atentados, agora não mais restritos aos Estados Unidos, mas a outros países.
Neste contexto onde praticamente todos perdem, há quem tem muitos motivos para comemorar: a indústria bélica, a que movimenta mais dinheiro no mundo. Desde o fim da guerra fria que referida indústria não experimentava aumento na produção e na lucratividade. São bilhões e mais bilhões de dólares gastos na compra de armamentos. É um total desperdício de dinheiro, tempo e intelecto humano desviados para uma indústria que produz instrumentos de destruição e morte.
Os cidadãos não precisam e não querem que seus governos gastem o dinheiro público em armamentos e guerras. Desejam ver os recursos públicos sejam gastos em escolas, hospitais, incentivo à ciência e tecnologia, previdência, diminuição da miséria, preservação ambiental e demais atividades, enfim, que possam acrescentar algo de positivo para a humanidade e elevar nossa qualidade de vida. (Ricardo de Oliveira Rocha - OAB/SP 129.360)