10 de julho de 2026
Geral

AOS EDUCADORES DE VERDADE: NÃO DESTRUAM AS APAES E VALORIZEM OS PROFESSORES

Maria Luiz Corrêa Domingues
| Tempo de leitura: 3 min

Não gostaríamos de escrever estas palavras dirigidas aos administradores da educação do Estado de São Paulo. Somos pais de uma pessoa deficiente mental, com 32 anos de idade, e gostaríamos de fazer alguns comentários sobre a vida de uma pessoa DM.

1- nossa filha recebeu seu primeiro processo de sociabilização em escola, graças à atenção das Irmãs do Colégio São José, colocando-a numa classe de crianças normais.

2 - o processo educativo, que seria o primário, devemos à dedicação do Lar Escola Rafael Maurício (aos tempos da Praça Portugal).

3 - hoje, nossa filha freqüenta a APAE-Bauru.

Em todos esses anos, nunca recebemos uma colaboração ou carinho por parte do Governo do Estado de São Paulo que, na verdade, sempre repudiou as pessoas portadoras de excepcionalidade. Seja no processo educativo ou atendimento médico. É bom que se saiba que o tratamento que fazia em São Paulo com o dr. Raimundo Veras - método Dolman, era mantido por nossa tia, pois o salário de multi-professor era insuficiente.

Agora, assistimos a uma pretensa Secretaria da Educação - formada por teóricos. Militamos na Educação por mais de 30 anos, através de concursos seletivos exigentes na década de 50, querendo se intrometer (isso mesmo) num ensino do qual nada entende: Sem tradição alguma. Seria muito melhor que financiasse as APAEs...

Senhores (as) técnicos (as) da Educação: já conseguiram destruir o sistema de Ensino do Estado - o melhor do país, onde pobres ou ricos tinham o melhor ensino, mas não destruam as APAEs. Os professores que trabalham com excepcionais são especiais, têm um carisma em que não há concurso seletivo para a sua escolha - permanecer com essas pessoas humanas durante horas não é para mercenários e sim para aqueles que se doam aos DM.

É verdade que Deficiência Mental não se entende lendo livros - os teóricos, mas participando da vida diária - Nós temos muita experiência. Não podemos deixar na estrada esses professores que até hoje trabalharam - nem usar a Ironia de que façam o concurso. Não se faz concurso para ser religioso: este é um campo que também não funciona sem o carisma.

O presidente John Kennedy aproveitou sua passagem pelo governo e conseguiu leis para proteger os DMs, tanto que a Maria Luiza, a Irmã Evanira e Teresa Stocco Sacarabotto estagiaram numa escola do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração, nos Estados Unidos, em Greensburg (Pennsilvania) - a Clelian Hights School for Excepcional Childrens. Sabem por que Kennedy conseguiu as leis? A sua irmã excepcional que ainda vive o levava à compreensão do problema, acreditando que o atendimento aos DMs deve ser feito por entidades da comunidade. Saibam quem entende do assunto? Perguntem ao Tidei de Lima porque ajudou a Apae/Bauru.

Minha prima, fonoaudióloga na Suíça - Bien/Biel, a Ângela trabalha numa escola semelhante à APAE. Como pai e interessado, visitei e compreendi a metodologia. Primeiro, a comunidade construiu a escola e a colocou em funcionamento (fizemos o mesmo). Segundo, o governo solicitado, fiscalizou. Consequência: elaborou um orçamento e o fornece para a manutenção da escola. Igual no Brasil... foi feito? Alguém pode dizer: o governo não dá escola integral para as crianças normais (visitem Cuba, por favor, e vejam a criança 8 horas na escola), por que dar escola especial para as crianças com problemas?

Senhores (as) educadores (as), ponham a mão na consciência e dêem apoio para as APAEs. É um alerta e uma solicitação. (Profª. Psic. Maria Luiz Corrêa Domingues - RG. 4425751 / Prof. Dr. Muricy Domingues - RG. 4425750)