Os empresários estão otimistas com a retomada da produção industrial gradativa, mas consistente, a partir do início de 2002. Ricardo Marques Coube, vice-presidente estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), afirma que a redução de estoques na maioria dos países deve fazer com que comece a ocorrer uma recuperação do setor industrial. Esse quadro traz uma excelente perspectiva para os empresários, que já começam ver alguns preços que tinham caído se recuperar.
Para Coube, o que anima os empresários é o fato de ser esperada uma queima de estoques, de um modo em geral, até em função dessa recessão global que vem ocorrendo. Todos os estoques reguladores de bens duráveis e commodities, em termos globais, onde o Brasil se insere, estão caindo consideravelmente, o que deve favorecer o consumo, analisa.
A celulose, por exemplo, que teve uma redução de 40% no preço, em função da queda no nível de estoque que se chegou por volta de outubro, já começou a se recuperar progressivamente, mesmo sem aumento da demanda. Esse mesmo raciocínio se aplica a uma série de outros itens de commodities. Esse fator de estoque é o que está deixando os empresários otimistas.
Coube destaca que a recuperação está ocorrendo de forma global e o Natal deve ser melhor do que as previsões na maioria dos países. Com isso, será necessário fazer a reposição dos estoques, provocando uma avalancagem positiva da indústria. E o Brasil está muito inserido nesse contexto aí. Vamos ter, desde o início do ano, um processo gradativo de recuperação de volumes produzidos, em função até de uma reposição desses estoques que estão chegando a níveis muito baixos, acredita.
O vice-presidente do Ciesp diz que essa é uma análise econômica mais aprofundada, com uma perspectiva macroeconômica e global da movimentação de estoques, cargas, materiais e produtos. Não é superficial apenas com uma visão de Natal e de varejo. As atuais influências negativas já estão se amenizando, relata.
Coube disse que o grande evento de 11 de setembro - os atentados terroristas aos Estados Unidos - ensinou ao mundo muita coisa. O principal é que, realmente, somos globalizados. Ninguém mais tem dúvida de que, seja por razões étnicas, religiosas, econômicas ou políticas, o mundo é globalizado. Não tem mais quem viva isolado e qualquer país não pode mais ter qualquer política, seja interna ou externa, sem levar em conta a ordem global das coisas, afirma.
Para ele, o Brasil pode tirar grandes vantagens nesse período de recuperação, por tudo o que representa.
Sem medo do PT
Ricardo Marques Coube, vice-presidente estadual do Ciesp, disse que o empresariado não se assusta mais com o Partido dos Trabalhadores (PT) ou do que representa a candidatura a presidente de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com ele, o único problema é que o PT não consegue se posicionar de uma forma firme, colocando claramente quem vai comandar a linha econômica. Além disso, seria necessário definir a linha econômica a ser adotada. Se conseguir fazer isso competentemente, acho que não assusta mais ninguém, destaca.
O vice-presidente do Ciesp diz que falta ao PT um correspondente ao ministro Pedro Malan, ou seja, uma pessoa que tenha o direcionamento e que, as pessoas concordem ou não, é quem acaba definindo a linha adotada. Para o PT seria ótimo. Alguém que venha, um Malan deles que fale: como responsáveis nos achamos isso e vamos fazer aquilo. Se conseguir sinalizar isso com clareza e de forma confiável, o problema do PT com a classe empresarial está resolvido, afirmou.
Coube lembra que a maioria dos países da Europa passou pela experiência de um governo de esquerda, que acabou não sendo bem sucedido.