A bancada evangélica da Câmara Municipal, formada por oito vereadores, tentou, mas não conseguiu aprovar uma emenda que vetava a destinação de recursos do Município para a promoção do Carnaval de 2002. Por 11 votos a dez, a proposta foi rejeitada. A votação do plenário ficou empatada e precisou do voto de Minerva do presidente da Casa, Walter Costa (PPS), que optou pela rejeição da emenda.
O prefeito Nilson Costa (PPS) anunciou, na semana passada, que o Carnaval do ano que vem não será subvencionado com recursos do Poder Público.
A emenda - assinada pelos vereadores Antonio Garmes (PSDB), Pastor Luiz (PL), Luiz Carlos Valle (PSB), João Parreira (PSDB), Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), Roberto Bueno (PTB), José Walter Lelo Rodrigues (PTB) e José Eduardo Ávila (PPB) - provocou polêmica na sessão de ontem.
O pepebista Paulo Madureira - carnavalesco da Cartola - ficou irritado com a proposta. Ele afirmou que já está completando nove anos de Câmara Municipal e nunca votou uma emenda discriminatória como essa.
Isso me deixa até com vontade de chorar. Acho que o Carnaval é uma cultura popular e cabe ao prefeito destinar o dinheiro ou não para a sua realização. A emenda é discriminatória. E discriminação não existe mais, criticou.
O tucano João Parreira - que assinou a emenda - rebateu o posicionamento de Madureira. Para o parlamentar, a emenda não era discriminatória.
Tudo é uma questão de opção. Tem aqueles que gostam de Carnaval, de futebol, de basquete. Uma cidade não se constitue de um segmento só, argumentou.
O vereador afirmou que não é contra o Carnaval. Somos contra a subvenção. O Poder Público não pode subvencionar o Carnaval.
O tucano disse que as escolas de samba existem há muitos anos e já estariam preparadas para caminharem sozinhas.
A posição dos evangélicos foi reforçada pelo vereador Roberto Bueno. A Secretaria de Cultura poderia se chamar Secretaria do Carnaval. Quase toda a sua verba vai para o Carnaval. Isso em apenas dois dias, criticou.
Valle, que é pastor evangélico, emendou: Quem vive do Carnaval que busque recursos financeiros para isso. O comentário do parlamentar do PSB foi rebatido pelo presidente da Câmara, Walter Costa.
Igrejas evangélicas usam próprios da Prefeitura gratuitamente para seus eventos, inclusive a sua, referindo-se a Valle.
A intenção da bancada evangélica era a de referendar o anúncio do prefeito, feito na semana passada, de que não vai destinar recursos públicos para o Carnaval. Os evangélicos acreditam que Nilson Costa vai ser pressionado pelas escolas de samba a liberar dinheiro para a Festa do Rei Momo e que poderá acabar cedendo diante dos pedidos que deverão ocorrer.