09 de julho de 2026
Geral

INCULTURA DE UM POVO

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Quero aqui parabenizar o jornalista Benedito Requena pela brilhante abordagem no Editorial de terça-feira (JC - 20/11, pág. 2). Na referida matéria, Requena tece comentários acerca do projeto de lei do vereador Rodrigo Agostinho, que tem o objetivo de reduzir as pichações em nossa cidade. Realmente, a iniciativa do brilhante edil é digna de elogios mas, certamente, carece de maior severidade, pois vejamos.

O pichador, na verdade, não pode ser tratado como pessoa normal. Nenhum animal depreda seu próprio hábitat, sente-se bem em viver na sujeira e desrespeita o patrimônio que não lhe pertence. Essa prática indecente é o fruto do descaminho, da demência consentida, do prazer em violentar o sentimento de civismo e urbanidade de toda sociedade civilizada. Quem faz isso, logo, é o criminoso consciente e, como tal, deve ser tratado.

Aliás, já passou da hora de parar de tratar criminosos como crianças, pois a partir do momento em que o animal passa a ter consciência de seus próprios atos, deve ser responsabilizado por eles. Como Requena mencionou, o pichador, uma vez flagrado, deveria ser fichado e retirado das ruas; se não tem condições de viver no seio da sociedade, também não pode circular por ela. Tal qual as restrições para animais bravios, proibição de leões em circos dentro da cidade e cães com focinheiras, ou então, a proibição do trânsito de caminhões pelo centro da cidade, ou a regulamentação do fluxo de pedestres por determinada área, é de competência do município fixar regras rígidas para impedir que esses animais circulem pelas nossas ruas no período noturno.

E proibir o uso do spray pouco resolverá, pois mais da metade das pichações atuais são feitas com rolos enormes, pois, para esses animais, não basta apenas pichar, tem que estragar muito. Concito o nobre vereador a envolver a polícia judiciária e as autoridades policiais, pois mecanismos para vistoriar e flagrar veículos e bandos durante a madrugada seriam essenciais para o sucesso da empreitada.

Por fim, basta uma superficial análise, em qualquer quarteirão, e verificar-se-á que não existe um muro, único muro sem o garrancho; agora, se já faltam espaços para a assinatura da demência, já se encontram pichações sobre pichações, é a retificação da insanidade. Lamentável é que pouco acima do Vitória-Régia nosso cartão postal mais importante existem dois prédios com pinturas novas, coloridas, de um extremo bom gosto, mas é certo que daqui a poucos dias aquilo estará com o escarro mental de algum doente, que nem sempre é adolescente. Seria da cultura do nosso povo não respeitar aquilo que não lhe pertence? Passem na frente da Casa da Cultura, nosso Teatro, para ver como estão suas paredes, até lá no alto... é o retrato fiel da incultura! (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)