Os donativos recolhidos em Bauru por um grupo de Santos, apreendidos anteontem, não serão liberados.
Roupas, sapatos e remédios doados pela população de Bauru a um grupo de pessoas que atuava na cidade em nome da Sociedade de Apoio às Entidades Assistenciais Filantrópicas Amigos do Futuro, de São Paulo, iriam para um bazar da pechincha. De acordo com o chefe do grupo de coletores, Francisco Lima e Silva, que ontem foi ouvido na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, ele receberia 10% da renda do bazar da pechincha.
Os 90% restantes seriam destinados à entidade, que Silva não soube afirmar se é ou não legalizada. Como Silva não comprovou a legalidade da entidade, as doações, apreendidas anteontem à noite na Pousada da Esperança I, serão destinadas a entidades de Bauru. Ontem, o delegado titular da DIG, J.J. Cardia, informou a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) que as doações apreendidas, que lotaram um caminhão pequeno e um ônibus, estavam à disposição de entidades de Bauru.
Silva confirmou a Cardia que estava arrecadando doações em Bauru desde sábado e que alugou uma casa, onde o material foi apreendido, para servir como depósito. Ele disse à polícia que trabalha há cinco anos como chefe de equipe de coleta de donativos para diversas instituições em várias cidades. Ele contou que comprou o ônibus apreendido anteontem especificamente para transportar as doações.
Inclusive, Silva disse que ainda está pagando as parcelas do financiamento do ônibus. O veículo, como estava com a documentação regularizada, foi liberado ontem. Silva afirmou ao delegado que os angariadores de donativos não têm salário fixo, recebendo da instituição uma cesta básica quando retornam de viagem.
Os oito angariadores de donativos foram liberados, mas vão responder, em tese, a inquérito por estelionato. Cardia disse que, há um mês, investiga instituições de Bauru e de outras cidades que atuam em Bauru no sentido de levantar se elas estão ou não cadastradas junto aos conselhos municipal, estadual e federal de assistência social, como determina a lei. Cardia explicou que há informações de que entidades irregulares estão angariando donativos ou vendendo produtos na cidade.