A adolescente, que está grávida, não explicou quem é o pai da criança que espera. Acusado foi encaminhado para a cadeia.
Denúncias anônimas feitas ao Centro de Registro e Atenção aos Maus-Tratos à Infância (Crami) de Bauru resultaram na prisão, ontem à tarde, de um homem de 49 anos que confessou ter mantido relações sexuais com sua filha de 16 anos, que está grávida. A adolescente e seu irmão menor, de 8 anos, foram encaminhados para o Conselho Tutelar.
Outros dois filhos do acusado, que ontem não estavam na casa da família, na Vila São Paulo, devem ser ouvidos pela polícia, para melhor esclarecer o caso. O homem, cujo nome não está sendo divulgado pelo JC para preservar a imagem da adolescente, disse ao delegado Dinair José da Silva, que está respondendo interinamente pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que sua filha consentia nas relações sexuais.
O acusado estava desempregado e morava com os quatro filhos. A mãe dos menores, pelo que a polícia apurou, já é morta. A adolescente foi evasiva em seu depoimento, não confirmando ou desmentindo que mantinha relações sexuais com seu pai, e não explicou quem é o pai do filho que espera.
O delegado disse que a adolescente demonstrava muito medo ao falar, calando-se várias vezes. Ela sairia pouco de casa e não mais estudava. O médico legista acionado pela DDM comprovou a gravidez da adolescente, já de várias semanas e visível. A prisão do acusado ocorreu após o Crami receber denúncias anônimas de estupro contra a própria filha.
Uma equipe do Crami foi até a casa da família e não foi muito bem recebida pelo acusado. Então, os funcionários do Crami informaram a DDM sobre as denúncias recebidas. Com mandado judicial para entrar na casa, a equipe do Crami, policiais da DDM e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) foram até a casa, quando encontraram o acusado e a adolescente grávida.
Pai e filha foram encaminhadas à DDM para prestar esclarecimentos, onde ele acabou confessando que mantinha relações sexuais com ela. Há informações, que devem ser checadas com os demais filhos do acusado, que ele dormia na mesma cama que a adolescente grávida.
Em seu depoimento, o acusado, de acordo com Silva, demostrava estar bastante tranqüilo, como se manter relações com a própria filha fosse algo normal. Após a confissão, o delegado solicitou a prisão temporária do acusado, que foi concedida. Como o crime do qual está sendo acusado é de natureza gravíssima, a prisão é de 30 dias, período que o caso deve ser esclarecido.
Se condenado, o acusado poderá pegar de quatro a dez anos de prisão. Silva vai solicitar que a adolescente passe por exames, para confirmação da paternidade da criança. O homem foi encaminhado à Cadeia Pública de Bauru. O delegado ressaltou a importância de denúncias, mesmo que anônimas, em casos como esse.