Polícia suspeita que crime foi punição pela morte do Sombra. Vítima e acusados tinham pena de mais de 80 anos.
Especial para o JC
Araraquara - O presidiário Edmilson Florêncio Gomes, 25 anos, é o principal acusado de matar o também detento Jonas Mateus, 30 anos, dentro da Penitenciária de Araraquara, anteontem à tarde. Os dois estavam no Pavilhão C e o motivo seriam desavenças pessoais. Mateus seria um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e um dos interlocutores da megarebelião ocorrida simultaneamente, em fevereiro, nas penitenciárias do Estado.
De acordo com a delegada que estava de plantão anteontem, Célia Maria Lara Tanan Souza Reis, todos os presos estavam no pátio e voltavam para as celas quando Gomes e Mateus começaram a brigar por causa de uma visita. Mateus foi assassinado na entrada da cela em que dormia, a 358. Segundo depoimento de agentes penitenciários, não foi possível perceber o que acontecia. Gomes teria matado Mateus com várias estiletadas, arrastou e o entregou já sem vida aos agentes penitenciários, junto com os dois estiletes que utilizou para matá-lo.
O acusado disse à reportagem, demonstrando frieza, que era matar ou morrer. Informações extra- oficiais sugerem que Gomes seria de uma facção criminosa que pretende eliminar todos os líderes do PCC. Ele nega a informação. Mateus cumpria condenação de 83 anos por roubos e homicídios.
Gomes está sentenciado a 86 anos de detenção também por roubos e homicídios e já cumpriu aproximadamente cinco anos. A delegada esteve na Penitenciária, elaborou o Boletim de Ocorrência (BO) de homicídio qualificado e comentou que nem os médicos legistas conseguiram identificar, no local, o número de facadas que o detento levou.
Polícia suspeita de vingança pela morte de Sombra
Araraquara - O detento Edmilson Florêncio Gomes disse ter matado para não morrer, pois vinha sendo ameaçado pela vítima. Gomes negou à polícia qualquer ligação com o PCC. Mas a polícia suspeita que o crime foi uma punição pela morte de Idemir Ambrósio, o Sombra, que teria sido morto por Mateus há cerca de seis meses, sem autorização da organização.
Segundo a diretora interina da penitenciária e diretora do Centro de Reabilitação, Marisa Latorre, o assassinato foi um caso isolado e a situação é tranqüila no presídio. Ela informou que Mateus não provocava problemas. Tanto que a morte foi um fato inesperado, disse. Ela manteve as visitas de final de semana sem qualquer alteração.
Esta teria sido a quarta morte do ano dentro da penitenciária, que abriga cerca de 850 presos, embora tenha capacidade para 503.
O delegado do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) de Ribeirão Preto, Sérgio Siqueira, também suspeita que a morte pode ter ocorrido por disputa de liderança dentro do PCC. Para ele, a vítima era o segundo homem na hierarquia do PCC. Siqueira tomou o depoimento de Mateus em 1995, depois de ele ter sido preso em Uberlândia, durante um assalto. Segundo o delegado, Mateus era um assassino frio, que deve ter praticado vários homicídios. Em um deles ele arquitetou a fuga da cadeia junto com um amigo só para matá-lo. Os dois fugiram juntos e no meio de um canavial ele matou o companheiro de fuga.
Colaborou: Agência Estado