10 de julho de 2026
Geral

CULTURA OU NÃO CULTURA? O CARNAVAL É A QUESTÃO!

J. Sane Malagutti
| Tempo de leitura: 3 min

O carnaval de rua de Bauru é apenas considerado de ótima qualidade. Aparentemente, é bonito sim, mas está longe de todo esse otimismo citado pela população desta. O carnaval bauruense já não é mais uma folia popular, tornou-se uma indústria, e talvez por isso a liberação de verba seja um impasse. O carnaval só voltará a ser cultura à partir do momento que for um manifesto popular, ao contrário do que acontece no sistema desta cidade.

O impasse da verba está totalmente ligado a este entrave. Cultura or no Cultura, thats is the question?

Em Bauru, a verba para o carnaval sai da Secretaria de Cultura, sendo repassado para a Liga das Escolas de Samba (Lesec). Quando essa verba é repassada para a Liga, é como se a Secretaria tivesse comprado um show e então cabe à Lesec apresentar este show. Então, ela repassa a verba para as escolas, e estas doam fantasias para o povo, e não veêm então o florescer de um carnaval de rua real, mas sim o nascimento de um produto: o carnaval industrializado.

O que precisa-se nesse momento é que as escolas de samba comecem a trabalhar durante o ano todo para poder tornar realidade o carnaval bauruense. Esse trabalho envolveria num calendário anual, a captação de verbas independente para a escola, além de movimentar o barracão ou quadra com pessoas da própria comunidade. Esse envolvimento comunitário em busca de um ideal é que faria gerar novamente a cultura carnavalesca.

Citar exemplos de carnaval comercial como Rio de Janeiro ou São Paulo, recebendo verbas por parte da Prefeitura, está muito aquém do carnaval bauruense, tanto na proporção de estrutura quanto envolvidos.

Usando a escola de samba Mangueira como exemplo, podemos ver que diversos trabalhos sociais ligados à escola são realizados, não podendo suprir o custo de um show por conta própria, sendo então esta escola beneficiada pela Liga e pelo poder público. Aqui em Bauru, escola alguma tem envolvimento comunitário e trabalha durante o ano todo. Na maioria das escolas (há exceções raríssimas, mas há!), os presidentes esperam o findar do ano para esperar a verba pública. Desta vez, a negativa da verba serviu para mudar de vez o carnaval bauruense.

Através dessa decisão, as escolas de samba, sem ter para onde recorrer na questão verba, deixam transparecer a ineficiência da Liga das escolas de samba bauruenses. Esta, por sua vez, não tem condições de sustentar o carnaval de rua sozinha. Uma Liga é uma entidade independente, ela tem que se autosustentar e ainda sustentar suas afiliadas, no caso, escolas de samba e blocos. Todas as Ligas de Escolas de Samba estão preparadas para o pior, e será que a de Bauru está preparada? Só vamos obter esta resposta se houver carnaval de rua em 2002.

Está na hora das escolas de samba de Bauru começarem a pensar mais em samba e mudar o cenário do carnaval. Procurem buscar profissionais, captar recursos, trabalhar em parceria com sua comunidade e gerar o carnaval durante o ano todo para fornecer seu show, porque, se continuar nesse ritmo, Bauru jamais terá novamente escola de samba. É hora de rever conceitos, mudar a mentalidade e escolher melhor quem vai organizar o carnaval de sua escola e dirigir todas as outras. Senão, a Colombina vai ficar na saudade. (J. Sane Malagutti - carnavalesco - RG 30.632.313-8)