08 de julho de 2026
Geral

Café pode combater o Aedes aegypti

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Bióloga da Unesp descobre que a cafeína e a borra do café não permitem que o mosquito da dengue se desenvolva.

Já imaginou utilizar cafeína e borra de café para combater a dengue, a dengue hemorrágica e a febre amarela? Pode parecer absurdo, mas não é. Uma bióloga do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriu que o uso das duas substâncias é efetivo no controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor dessas doenças.

A descoberta se transformou na dissertação de mestrado O efeito da cafeína e da borra de café no Aedes aegypti, de Alessandra Laranja. A pesquisadora comprovou que a utilização da cafeína é eficiente no combate ao mosquito, pois não permite que ele se desenvolva.

O Aedes aegypti passa por 4 fases de crescimento: ovo, larva, pupa e adulto. Mas os vírus que causam as doenças só são transmitidos pela picada do mosquito adulto. A cafeína atua matando o mosquito na fase larva. Dessa forma, não se têm mosquitos adultos e nem a transmissão de doenças, explica a professora Hermione Bicudo, professora da Unesp que orientou o mestrado.

Bicudo estuda o efeito da cafeína em insetos desde 1984, quando, juntamente com a bióloga Mary Itoyama, descobriu que esta substância reduz o número de descendentes e o tempo de vida da drosophila, aquelas pequenas moscas que sobrevoam as bananas maduras. Na época eu já trabalhava com o Aedes e decidi testar a substância nele. Deu certo, afirma.

Assim que descobriram a eficiência da cafeína, foi testada a borra do café, o pó que sobra após o preparo da bebida, pois possui grande concentração de cafeína. Além disso, a borra é uma substância acessível, podendo ser facilmente utilizada pela população, que antes a jogava no lixo. Os experimentos tiveram sucesso, atingindo praticamente a mesma eficiência que a da cafeína pura.

No ambiente doméstico, o uso da borra é uma boa solução alternativa, afirma a professora. Normalmente, o combate ao Aedes aegypti é feito com um inseticida chamado organofosforado, que é colocado na água. O problema é que esse inseticida é tóxico e põe em risco a saúde das crianças e animais domésticos, que podem eventualmente ingerir a água com os grãos.

A descoberta é pioneira. Não se tem notícias de nenhum outro experimento deste tipo no mundo, garante Bicudo. O uso da cafeína já está sendo recomendado pela vigilância sanitária da cidade de São José do Rio Preto e vem sendo divulgado por meios de comunicação de todo o País.

Como utilizar o café

O Aedes aegypti pode se desenvolver em água parada, mesmo em quantidades muito pequenas, como em tampas de latas, vasos de flores, ralos e até mesmo em uma fina película de água que se forme sobre a terra.

Assim, a borra do café, como forma de eliminar o mosquito, pode ser usada em todos os ambientes úmidos das casas: sobre a terra dos vasos, sem perigo para as plantas porque serve de adubo, nos pratos que são colocados sob os vasos para reter a água que escorre deles, dentro do copo formado pelas folhas das bromélias, onde geralmente se acumula água, e mesmo em ralos.

A quantidade a que se chegou, com base nos dados dos experimentos, foi a de quatro colheres de sopa da borra para um copo de água. Assim, se no prato do vaso cabe um copo de água escorrida, coloque nele 4 colheres.

As biólogas alertam que nunca se deve colocar menos do que essa quantidade, porque nenhum remédio ou inseticida funciona abaixo da dose certa. Pode-se até colocar uma maior quantidade, embora essa dosagem já inclua uma margem de segurança.

Outra iniciativa que deve ser tomada no combate ao mosquito é a fiscalização dos terrenos vizinhos, pois, muitas vezes, a água se acumula no lixo, como latas e vidros, jogado fora nesses locais.