09 de julho de 2026
Geral

Produtores não quitaram dívidas

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 2 min

Problemas operacionais impediram pagamento da parcela do refinanciamento que venceria no dia 30 de novembro.

A maioria dos produtores rurais que tinha que fazer o pagamento, em 30 de novembro, de uma parcela de 32% sobre o valor vencido em 31 de outubro de dívidas securitizadas, não conseguiu concretizar a operação, por falta de dinheiro ou por problemas operacionais do Banco do Brasil. O total do mês passado chegava a R$ 400 milhões. Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), disse que o problema foi generalizado em todo o Brasil.

O pagamento desta parcela de 30 de novembro era condição para que os produtores ficassem aptos a prorrogar suas dívidas totais por um prazo de 25 anos, segundo um acordo realizado com o governo, no final de outubro.

Lima Verde afirma que ainda não é possível saber exatamente quantos produtores deixaram de quitar a parcela em 30 de novembro, mas diz que o percentual é muito grande. Ele acredita que apenas as pessoas que tinham que pagar até R$ 7 mil o fizeram. Os demais não.

Muitos produtores se utilizaram de uma possibilidade do crédito rural, que é o encaminhamento de um documento à instituição financeira que permite o adiamento compulsório do pagamento, em razão das dificuldades enfrentadas. A opção era levar o cheque do pagamento ou essa carta, afirma.

Lima Verde lembra que Ricardo Conceição, diretor nacional do Banco do Brasil, chegou a declarar, na semana passada, que a instituição não tinha condições operacionais para receber o valor da parcela e pediu um adiamento do prazo.

Paulo Roberto Anzolin, gerente de relacionamento com governo da regional de Bauru do Banco do Brasil, destaca que a instituição depende da regulamentação da Medida Provisória (MP) que permitiu a prorrogação das dívidas por 25 anos. Até agora, a securitização é gerenciada pelo Tesouro Nacional. Somente com a regulamentação o banco poderá fazer o recebimento.

O gerente relata que, na região de Bauru, os produtores detentores dívidas securitizadas não encontraram problemas. Segundo ele, os que não tiveram capacidade de pagamento apresentaram a carta para alongamento da dívida. A instituição acolheu a carta e, agora, espera a regulamentação da MP.