09 de julho de 2026
Geral

Tapa-buracos custa R$ 1,5 mi ao ano

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Reforma da Usina de Asfalto Municipal deverá custar R$ 120 mil aos cofres públicos e está prevista para ser realizada ainda no primeiro semestre de 2002, duplicando a capacidade de produção

A operação Tapa-buracos da Secretaria Municipal de Obras, criada para promover reparos em ruas e avenidas danificadas, custa R$ 1,5 milhão ao ano para Bauru. Um desperdício resultante da política de descaso adotada pelas administrações consecutivas dos últimos anos, que ignoraram a necessidade de manutenção constante das vias públicas.

A Prefeitura remenda, a chuva leva. Esse arruma e sai acontece porque o serviço vem sendo malfeito ano após ano. Só recentemente nós temos visto que a Prefeitura tem procurado fazer reparos melhores. Provavelmente porque a administração se cansou de ouvir reclamações, comenta o engenheiro Vladimir Coelho. Ele é professor das disciplinas de Pavimentação, Drenagem de Vias e Projeto de Estradas no curso de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru.

Na maioria das vezes, o poder público promove reparos paliativos nas vias, solucionando o problema emergencial e temporariamente. Um exemplo gritante ocorreu em 1996, quando uma tempestade abriu uma cratera com aproximadamente 100 metros de extensão nas duas pistas da avenida Nações Unidas, próximo ao Terminal Rodoviário. O local era ponto de inundação há anos por deficiência do sistema de drenagem, mas nada era feito.

Só diante da erosão, que interditou completamente o trecho nos dois sentidos, a administração pública cuidou de ampliar as galerias para garantir a adequada vazão da água pluvial. Hoje, o local não enfrenta mais enchentes de dois metros sobre a pista. Porém, ainda assim, o sistema não comporta adequadamente o volume de água em dias de chuva forte.

A drenagem é o grande problema da avenida Nações Unidas. O volume de água que escoa ali durante a chuva é muito maior do que a canalização comporta. E o asfalto não foi feito para suportar um rio passando sobre ele - que é o que acontece em Bauru, observa o professor.

Um problema de difícil solução, segundo o secretário municipal de Obras, Edmilson Queiroz Dias: É incabível imaginar que vamos abrir a avenida para fazer novas galerias. Precisamos fazer uma represa, um ponto de retenção da enxurrada na avenida. Como precisamos executar galerias em vários locais para impedir que a água da chuva chegue na avenida. Mas são projetos complexos, dos quais só temos estudos iniciais, como os de várias outras vias.

Cirurgia no asfalto

Coelho explica que existe uma técnica adequada para fazer remendos no asfalto onde há buracos. A primeira regra é que o reparo só pode ser feito após alguns dias de estiagem, porque o material perde a aderência quando a terra está úmida. Depois, é preciso fazer um recorte em torno do buraco em formato retangular, retirando todo o material solto e amolecido da rua.

Então, verifica-se se a base do pavimento está intacta ou se precisa de reformas. Só depois de tudo limpo é que se aplicam as camadas de terra, que devem ser compactadas uma a uma. Por último, coloca-se a massa asfáltica, também seguida de compactação. Na construção civil é preciso ter a mesma limpeza e o mesmo cuidado que o dentista e o médico têm no seu trabalho com o paciente, compara.

Segundo ele, feito desta forma, o remendo adere ao pavimento existente e não deforma, como pode ser observado na maioria dos reparos encontrados nas vias municipais.

Dias confirma a eficácia da técnica, mas observa que, por estar vencido, o asfalto das ruas de Bauru perdeu a aderência. Ele admite que este procedimento não é o adotado pela Prefeitura hoje, alegando que há muitos reparos para fazer e que isso tornaria a operação lenta e inviável às atuais condições do Município. A partir do momento em que tivermos ruas recapeadas, que não furam mais, quando houver a necessidade de reparos, ele será feito da melhor maneira possível, prevê.

Mito do solo arenoso

O engenheiro e professor Vladimir Coelho afirma que é um mito a idéia de que o asfalto não resiste em Bauru porque o terreno é arenoso. Segundo ele, grande parte da cidade tem solo laterítico que, quando bem compactado, chega a ficar mais rígido e resistente que pedra britada.

A Engenharia tem um índice de compactação do solo. O padrão para suportar o asfalto fica entre 70% e 80%. O solo de Bauru chega a 100% sem problemas. Ele só não pode pegar umidade, porque isso reduz sua capacidade de suporte em 50%. A solução é ter um bom sistema de drenagem e impermeabilização do pavimento, informa.

Coelho ressalta que o solo bauruense é um típico solo tropical, que exige cuidados específicos. Porém, ele destaca que há estudos e livros que tratam exclusivamente deste tipo de solo. As técnicas existem. É só aplicá-las, completa.

Usina de asfalto será modernizada

As obras que envolvem pavimentação em Bauru são feitas, na grande maioria dos casos, graças ao funcionamento da Usina de Asfalto Municipal. Implantada há 26 anos, na gestão Edmundo Coube, porém, o maquinário está ultrapassado hoje, o que limita a realização dos reparos. A Secretaria Municipal de Obras estuda a possibilidade de modernizar a usina - um projeto orçado em R$ 100 a R$ 120 mil.

Atualmente, a usina tem capacidade para produzir 30 metros cúbicos de massa asfáltica por dia. Com a modernização, essa capacidade passaria para 60 metros cúbicos, informa o titular da pasta, Edmilson Queiroz Dias.

Indagado sobre uma previsão para a realização da reforma, ele afirma que vai depender da aprovação da previsão orçamentária para 2002. Se for confirmada a verba de R$ 18 milhões para a Secretaria, iniciaremos os processos de licitação ainda no mês de janeiro. Transcorrido o ritual da licitação, a usina poderá ser recuperada em cerca de 20 dias. Se tivermos a verba, a Divisão de Pavimentação do Município deverá estar com outro ânimo a partir do meio do ano que vem, supõe.

Dias salienta que, além da usina, o novo fôlego para os projetos de pavimentação e recapeamento das vias depende, também, de reformas em máquinas e veículos utilizados pelo setor, bem como de treinamento e reciclagem aos funcionários. Mas se tivermos a verba, providenciaremos tudo isso, destaca.

Segundo ele, faz parte da filosofia da atual administração executar o máximo possível das obras com meios e funcionários públicos, a não ser em situações urgentes que exigem a terceirização. Essa filosofia reduz os custos dos projetos em pelo menos 25%, dando-nos a possibilidade de investir a diferença em outras obras de interesse da comunidade, conclui.