A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2001 o Ano Internacional do Voluntário. A iniciativa, que contou com o apoio de 123 países, entre eles o Brasil, visava estimular nas pessoas e também nas mais diversas organizações e instituições, o desejo de dedicar o seu tempo ou trabalho, sem remuneração, para o bem-estar social. Em Bauru, várias empresas aderiram à idéia lançada pela ONU e, até agora, só têm obtido resultados gratificantes pelo trabalho. Outras, como a rede de supermercados Confiança e a rede de concessionárias Disbauto, só reforçaram suas ações, pois já vinham realizando trabalhos voluntários antes.
No caso do Confiança, houve uma mudança na forma de fazer a sua campanha de fim de ano, intitulada Natal Mais Fraternal Confiança, pela sexta vez. A versão de 2001, vai premiar com um automóvel Renault Scénic, doado pela rede, o cliente sorteado que colaborar com as entidades sociais beneficiadas pela campanha. A colaboração, de R$ 1,00, deve ser depositada pelo cliente nas urnas que ficam nas três lojas do Confiança. Assim que faz a doação, a pessoa recebe um cupom para concorrer ao carro. No final da promoção o valor total arrecadado será dividido entre as 75 entidades que estão no cadastro da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), de acordo com a quantidade de pessoas atendidas.
Para o diretor-presidente do grupo, Jad Zogheib, o modelo de campanha adotado esse ano foi diferente justamente para promover a cidadania e o voluntariado, já que ela não é baseada na quantidade de compras e sim na solidariedade dos clientes. Como diz o slogan da campanha: Sua chance do tamanho de sua bondade.
Além das doações dos consumidores, os funcionários da rede de supermercados estão sendo convidados a fazer uma doação de 1% de seus salários de dezembro para aumentar a quantia destinada às entidades. Segundo Zogheib, a rede ainda vai colocar em prática, a partir de janeiro de 2002, um outro projeto de voluntariado no qual um funcionário da empresa será disponibilizado uma vez por semana, para ajudar uma entidade no que for necessário. Como o nosso negócio é atendimento, é trabalhar com gente, temos o objetivo de ajudar quem precisa e também de desenvolver no ser humano essa vivência com as pessoas, diz.
O diretor-presidente do Confiança também ressalta que o trabalho voluntário faz com que a empresa se torne mais conhecida do público e mostre seu serviço na comunidade, o que é bom para que outras campanhas possam acontecer durante o ano. As entidades necessitam de ajuda o ano todo, explica.
Imagem melhorada
A resposta do público foi uma das grandes vantagens do trabalho desenvolvido pela Disbauto, que, assim como o Confiança, começou a pensar no bem-estar social antes do Ano do Voluntariado da ONU. Começamos em 1999, com o projeto Voluntários Graças a Deus, lembra o sócio-proprietário da rede de concessionárias da marca Ford, Daniel Garcia Alonso. O objetivo era, além de ajudar uma entidade, o Centro de Valorização e Apoio à Criança (Cevac), melhorar os funcionários como pessoas e também como família e equipe. Depois de receber muitos prêmios de venda e termos anos muito bons, resolvemos premiar a sociedade com o que a gente tinha de melhor que são nossos funcionários, destaca Alonso.
Dentro do projeto, cada funcionário era convidado a faltar um dia do trabalho para se dedicar à entidade juntamente com alguém da sua família. O trabalho no Cevac incluiu desde a ajuda com o cuidado das crianças à reforma das instalações, feitas no esquema de mutirão. O Voluntários Graças a Deus acabou obtendo um sucesso inesperado e fez com que a Disbauto se tornasse um modelo para empresas do seu setor e de outros. Vencemos no X Congresso da Fenabrave o prêmio de Concessionária do Ano 2000, depois de termos nos destacado no nível regional e também termos vencido o prêmio de melhor Projeto Social da Revista Autodata, diz Alonso.
Este ano, no aniversário de Bauru, a Disbauto iniciou um projeto ainda maior, o Viva a Vida, que já realizou mais de 30 ações com a participação voluntária dos funcionários da empresa. De acordo com o diretor da empresa, a realização de trabalhos sociais promove uma melhora sensível nas pessoas, no trabalho e em casa e também ajuda nos negócios. Em muitos casos, nos tivemos a preferência na compra de carros ou no uso da nossa oficina em função do nosso trabalho social. O cliente enxergou a empresa que fazia serviços voluntários e a empresa que não fazia, diz Alonso.
Ação que gratifica
A Provence, que trabalha com a confecção de roupas íntimas, aderiu ao voluntariado, neste ano, destinando parte da venda das peças de sua própria fabricação para a Associação Bauruense de Combate ao Câncer. A mesma entidade será beneficiada por outra ação social, a campanha Juntos por um Mundo Melhor, realizada pela Associação dos Lojistas do Shopping Center (ALBSC), que começou no dia 25 de novembro. De acordo com a presidente da ALBSC, Andréa Negrão Fusco, é a primeira vez que os lojistas do shopping realizam um projeto de fundo social desse porte. A campanha consiste na colocação de pequenos cofres nas lojas para que os lojistas e clientes possam fazer doações espontâneas.
Além dos cofrinhos, a renda da exposição de mesas natalinas que começa essa semana no Shopping também vai ser revertida para a Associação de Combate ao Câncer. A expectativa é de que a campanha consiga uma boa soma e que ações semelhantes possam voltar a ser realizado nos próximos anos e em outras épocas para ajudar o maior número de entidades possível. A empresária Marinês Manflin, proprietária da Provence, define uma outra visão do trabalho voluntário: É muito gratificante para uma empresa poder fazer alguma coisa para uma entidade. Estamos há dez anos no mercado e sentimos a necessidade de fazer alguma coisa por alguém, afirma.