08 de julho de 2026
Geral

Reagir a assalto eleva risco para vítima

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Para conscientizar a população, foi lançada em Bauru a campanha de desarmamento, que atingirá outras 15 cidades.

Não corra riscos - Entregue sua arma. Este foi o slogan escolhido para a campanha de desarmamento lançada ontem, em Bauru, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Bauru, polícia civil e Militar. É o terceiro ano consecutivo em que a campanha é realizada. A versão 2001 da iniciativa começará no dia 17 e prosseguirá até o dia 22 de dezembro.

O objetivo é conscientizar a população sobre os perigos de ter uma arma em casa. Cerca de 83% das pessoas que reagiram a um assalto foram mortas pelo bandido, ressalta o delegado seccional de Bauru, Antonio Ângelo Ciocca.

O delegado lembra que grande parte das armas apreendidas com os marginais é oriunda de furtos em residência. A pessoa com arma irregular não pode andar com ela. Tem que deixar em casa. Para o ladrão, a arma é objeto precioso e atrativo. A arma na mão de bandido coloca a comunidade e a polícia em risco.

O desarmamento, segundo Ciocca, é um fator importante para a segurança pública. A polícia Civil faz a sua parte neste trabalho, não autorizando as pessoas a andarem armadas, disse.

Ter uma arma não compensa, na opinião do seccional. Temos visto que até em acidentes de trânsito há mortes provocadas porque as pessoas estão armadas. Na hora do nervosismo, a pessoa perde o controle e mata. Se ela não estivesse armada, não aconteceria.

Os acidentes domésticos com arma de fogo é outra preocupação do seccional. Uma arma em casa também pode ocasionar acidentes domésticos envolvendo crianças e pessoas inabilitadas.

As armas devem estar nas mãos da polícia. Quem tem que ter arma é a polícia, por isso a iniciativa da OAB. As armas apreendidas serão destruídas. No ano retrasado, o resultado da campanha foi altamente positivo: arrecadamos 200 armas. Durante o ano passado, arrecadamos 300 e apreendemos mais 130. São 430 armas fora de circulação.

Ciocca frisa que neste ano as pessoas continuaram entregando armas. Temos cerca de 100 armas arrecadadas. As pessoas, voluntariamente, vão aos distritos, à seccional, às bases da PM e entregam as armas.

Para o comandante da 3ª Cia da PM, capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, o cidadão de bem deve confiar nas instituições policiais. Pretendemos mostrar a todos que a pessoa armada não está segura. Temos que entender que a entrega das armas melhora a eficiência das polícias, uma vez que essas armas não vão para o crime.

Segundo ele, a campanha é muito válida e adequada. No ano passado, durante a campanha, período de um mês, nós tivemos mais de 200 armas apreendidas, mais do que a PM e Civil, em Bauru, conseguiram apreender em atos infracionais.

Conscientização

O presidente da seccional da OAB/Bauru, Edson Reis, diz que o objetivo é conscientizar a população do risco que é ter uma arma em casa. O número de armas arrecadadas vem em segundo plano. O primeiro objetivo é a conscientização da população em não ter arma em casa. Ter uma arma em casa reflete na segurança pública, além dos riscos de acidentes com crianças.

A novidade da versão 2001 da campanha é que ela foi estendida para 15 cidades da região. Este ano, nós estamos estendendo a campanha para 15 cidades. No ano passado em Bauru foram arrecadadas 300 armas. Neste ano a nossa expectativa é de arrecadar cerca de duas mil armas com a participação de mais cidades.

Uma semana de campanha é o suficiente para atingir o objetivo, na opinião de Reis. Não se trata de período curto. Não podemos permitir os abusos. Qualquer pessoa que for pega armada pode dizer que está indo entregar na delegacia. Nossa intenção é desenvolver a campanha em períodos curtos, mais vezes durante o ano. Estamos programando isso para o ano que vem.

Serviço

As armas poderão ser entregues em todos os distritos policiais, bases comunitárias da PM, OAB e delegacia móvel da Polícia Civil, que ficará na Praça Rui Barbosa.