O ex-governador Orestes Quércia (PMDB) ainda não decidiu qual cargo vai disputar nas eleições do ano que vem. Ele diz, através de sua assessoria de imprensa, que tem três opções para escolher: a Câmara dos Deputados, Senado e Governo do Estado. Para discutir essa questão, Quércia vai se reunir em Bauru, neste sábado, com dirigentes e militantes do PMDB da região.
O encontro será realizado na Câmara Municipal, a partir das 11 horas. Após participar da reunião, o ex-governador é convidado de honra na inauguração da sede do diretório municipal peemedebista e no encontro estadual da Juventude do PMDB, evento agendado na seqüência.
É a primeira visita de Quércia a Bauru, depois da convenção que o elegeu presidente do diretório estadual do partido, realizada em maio passado. Ele disputou a indicação com o deputado federal Milton Monti (PMDB), de São Manuel, e obteve a maioria dos votos.
Monti teve o apoio do deputado federal Michel Temer (PMDB), que tinha pretensões de conquistar o diretório estadual para disputar o Governo do Estado nas eleições de 2002. A chapa liderada por Temer foi apoiada pelo ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB), que entrou em rota de colisão com a família Gasparini, de tradição quercista.
A disputa estadual rachou o PMDB de Bauru. A vitória do ex-governador fortaleceu a família Gasparini. Em outubro passado, o partido realizou sua convenção municipal para renovação do diretório. Alex Gasparini, apoiado pela mãe, Darci, e por um grupo que se auto-identificou como independente, articulou uma chapa deixando de fora peemedebistas tradicionais, dentre os quais Tidei de Lima e seus aliados.
Estrategicamente, o ex-prefeito decidiu não disputar o controle da legenda e se isolou. Com a eleição de Alex à presidência da executiva municipal, Quércia ganhou um aliado em Bauru e aniquilou Tidei, que apoiou Monti e Temer. No passado, o ex-prefeito chegou a ocupar uma secretaria de Estado (Agricultura) no governo Quércia, de quem chegou a ser amigo pessoal.
Decisão
As visitas do ex-governador ao Interior do Estado - sua principal base política - tem o objetivo de consultar a militância do PMDB e ajudar na definição do rumo que o partido tomará em 2002. Quércia defende candidaturas próprias tanto para o Governo do Estado como para a Presidência da República.
Nesse caso específico, ele apóia o nome do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), embora deixe claro que se o senador Pedro Simon (PMDB-RS) for o escolhido respeitará a decisão e trabalhará pela candidatura.
O ex-governador diz que as bases do partido definirão que cargo ele disputará no ano que vem. Estou à disposição para disputar uma vaga como deputado federal, senador ou governador. A base é quem decidirá. Se for escolhido como candidato a governador, entrarei para ganhar, sinaliza. Serei melhor governador que da outra vez, completa, através de declaração feita via assessoria de imprensa.
No mês passado, pesquisa feita pelo Ibope apontou Quércia em terceiro lugar na disputa ao Governo do Estado, com 20% das intenções de voto. Na mesma consulta, ele aparece em segundo lugar na disputa pelo Senado, com 21% das intenções de voto. O ex-governador, no entanto, diz que tem recebido apoio de lideranças de todo o Estado para se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes.
Sobre a sucessão presidencial, Quércia afirma que o PMDB tem força suficiente para ter um candidato próprio na disputa. O ex-presidente Itamar Franco representa o sentido nacionalista que o Brasil precisa, avalia.
Ele acredita que a candidatura do governador mineiro ficou fortalecida com a decisão do partido de adiar as prévias para 17 de março, incluindo os votos dos vereadores. Itamar é imbatível em qualquer prévia do PMDB, e com a decisão de incluir o voto dos vereadores, totalizando um universo de votantes em torno de 15 mil, teremos mais chances de voltar a fazer do Brasil um País para os brasileiros, discursa.