O subsídio do Estado está sendo distribuído entre outras entidades porque a casa-abrigo não começou a funcionar
O abrigo para meninas, construído ao lado do Centro de Valorização da Criança (Cevac), no Núcleo Geisel, para receber adolescentes do sexo feminino que moram nas ruas ou estão em situação de risco, tem verba estadual garantida. Porém, a casa ainda não está funcionando e a verba está sendo distribuída entre outras entidades de Bauru que também atendem adolescentes.
Apesar de Bauru precisar muito de um abrigo para meninas e da Secretaria Estadual da Assistência e Desenvolvimento Social estar disponibilizando R$ 150,00 por mês para cada adolescente que for abrigada, não há previsão de quando a casa-abrigo vai começar a funcionar. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente não tem dinheiro para completar o custo mensal de cada adolescente abrigada, segundo o padre Raolino Coan, que preside o órgão.
O custo mensal para abrigar uma adolescente é estimado entre R$ 500,00 e R$ 600,00, segundo Élida Farias, presidente do Cevac, entidade que vai administrar a casa-abrigo. Enquanto o Conselho dos Direitos da Criança não conseguir o dinheiro que falta, a verba do Estado destinada para essa área social está sendo distribuída entre outras entidades.
Em Bauru, apenas a Casa de Nazaré, que sempre está lotada, abriga adolescente do sexo feminino que moram na rua ou em estão em situação de risco. O prédio para a casa-abrigo, com capacidade para 20 meninas, foi construído e equipado pelo Cevac com recursos do Lions Estoril. Élida frisou que não há como o Cevac colocar a casa-abrigo em funcionamento sem ter a garantia de que receberá o valor da estadia das adolescentes abrigadas.
Ela explicou que, além de monitores 24 horas, a casa-abrigo precisa de funcionários para limpeza e cozinha, e profissionais para atendimento das adolescentes abrigadas, incluindo psicólogo e assistente social, o que encarece os custos de funcionamento.
Quando a casa-abrigo foi inaugurada, em julho, foi firmada uma parceria entre Estado, Município e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescentes para colocar a entidade em funcionamento. No entanto, por enquanto, apenas o Estado disponibilizou a verba para a manutenção das abrigadas.
Segundo Maria Perroni, diretora da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, a verba chegou a ser depositada na conta do Fundo da Criança e Adolescente, mas acabou sendo extornada porque a casa-abrigo não entrou em funcionamento. O presidente do Conselho da Criança e Adolescente disse que o Fundo Municipal da Criança e Adolescente não tem dinheiro para complementar os R$ 150,00 repassados pelo Estado para cada adolescente abrigada.
Ele contou, inclusive, que o Fundo Municipal da Criança e Adolescente tem dívidas a quitar com a Gilgal, entidade que atende adolescentes do sexo masculino em regime de internado. Padre Raolino disse que está investindo na divulgação da campanha de destinação de Imposto de Renda para financiar o atendimento a adolescentes, mas os recursos ainda são poucos. Há também uma proposta de que a comunidade colabore, mensalmente, com o Conselho da Criança para colocar a casa-abrigo em funcionamento.