08 de julho de 2026
Geral

Reis Palhaços

Leila Grassi
| Tempo de leitura: 2 min

Não, não é xingamento não, é que estamos entrando no Ciclo de Natal onde são comemorados o nascimento de Jesus e o Dia de Reis com festas e folias espalhadas por todo o Brasil, onde os Santos Reis aparecem representados por palhaços!

Nesta época de poucos amigos, de preocupações com o terrorismo, de angústias com a economia mundial, de correrias com o final de ano, que tal lembrarmos do espírito de renúncia, do amor e da dedicação com que nos brindaram esses Santos em questão?

As Folias de Reis podem nos servir de exemplo ou de ponto de partida para algumas reflexões. São encontradas em todo o Brasil com características diferentes em cada lugar preservando o seu fundamento básico, a sua essência. Grupos que se formam em comunidades, bairros, vilas e que no mês de dezembro cantam a história do nascimento de Jesus de porta em porta, de sítio em sítio, abençoando o lugar e angariando fundos para a festa de Santos Reis no dia 6 de janeiro.

Essas folias tem uma estrutura hierárquica, uma organização social que respeita a autoridade do mestre em suas decisões, é ele quem comanda a música, o canto e a dança, com seu apito vai dizendo o que se deve fazer, auxiliado pelo contra-mestre. Os palhaços vem na frente abrindo passagem, com roupas coloridas, máscaras de pele e bastões, vão brincando com as crianças e dizendo seus versos (a chula), a folia vem atrás, com a bandeira, os foliões e a orquestra.

Nas casas em que passam são recebidos com café, bolo, doces, e às vezes carnes, purês, licores, etc. uma mesa farta que simboliza a confraternização entre foliões e anfitriões, que irá se repetir no dia 6 de janeiro, com todas as pessoas que contribuíram para a realização da festa maior. Aí é feita a reza, as cantorias, as danças e a comensalidade. Todos juntos para homenagear Jesus e seus visitantes na figura dos Reis Palhaços.

Palhaços para confundirem os soldados de Herodes que não deveria saber onde nascia o Salvador. Para poderem reverenciar e conhecer sem serem molestados, para poderem louvar sem serem castigados. Cantar e dançar o nascimento do amor para preservar a cultura e para unir pessoas, para darem as mãos, e se alimentarem em conjunto, para viverem em sociedade respeitando as diferenças individuais que nos fazem tão ricos.

As representações da cultura popular servem para nos fazer parar e pensar no nosso dia-a-dia, para despirmo-nos de preconceitos e aprender ante tão profunda devoção e capacidade de unir pessoas independente de raças, credos, situação econômica ou social. A arte da confraternização, da verdadeira união.

Deus le pagua bel oferta que vós deu de coraçãoOs Três Reis que le ajudeE Deus le ómente as porção. *

O mais que isto... É Jesus Cisto, que não sabia nada de finanças nem consta que tivesse biblioteca... **

* Versos de Folia de Reis - Rio de Janeiro** Verso de Fernando Pessoa

Leila Grassi - profª de Cultura Brasileira, colaboradora de Ju Machado escritório de arte.