08 de julho de 2026
Geral

ÂNIMO, PROFESSORES!

Rivaldo A. Paccola
| Tempo de leitura: 2 min

Muito se tem criticado a educação escolar atual: aumento da violência, falta de interesse pelos jovens aos conteúdos curriculares, desmotivação a participar das aulas.

Isso tem produzido neuroses nos educadores. Angustiados com os problemas, sentem-se de mãos atadas, incapazes de apresentar soluções imediatas, reclamadas pelos alunos, pela sociedade, pelo sistema escolar e por si próprios, até para readquirirem a autoconfiança no seu trabalho pedagógico.

Na tentativa de enxergar alguma luz que indique a saída deste subterrâneo labirinto, gostaria de relacionar a educação escolar com o gênero épico, o lírico e um vazio existente entre eles, o nada.

O épico relata em versos uma ação heróica, os feitos memoráveis de um herói histórico ou lendário que representa uma coletividade, é grandioso.

O lírico, através da musicalidade, expressa ética e dramaticamente o sentimento, o enlevo poético, trata das coisas singelas do cotidiano.

Para evoluir, a grande dificuldade da educação, a que me refiro, é fazer a correta avaliação destes dois gêneros da produção literária; e, como a vida imita a arte, saber a exata dimensão dos conteúdos a serem selecionados para atingir os objetivos propostos e não cair no esvaziamento.

Quando o ensino identifica-se com o épico e produz uma visão de escola redentora, que tudo pode, em que toda a evolução e transformação do indivíduo só podem ser feitas nela, pela apropriação do saber historicamente acumulado: centra-se na transmissão do conteúdo.

No extremo oposto, se a escola é encarada como reprodutora das condições da sociedade, já que ela é, apenas, uma instituição do sistema social e reflete as suas tensões, nada tem a fazer: assume, assim, uma posição niilista.

O equilíbrio está no meio. Precisa-se aprender a ter uma visão lírica da escola, não com sentimentalismo piegas, mas que exalte as pequenas coisas, ou seja, os conhecimentos que os alunos vão adquirindo aos poucos, passo a passo, o conhecimento sedimentado como uma estalactite. Nesse aspecto, a avaliação deixa de ser uma faca de corte e assume o caráter de identificação dos progressos dos alunos, por pequenos que sejam, antes e depois da intervenção do professor.

Acredito que este diagnóstico possibilita uma tranqüilização para os professores, traz confiança no seu trabalho; pois, como a Terra precisa de um ano para dar a volta completa ao redor do Sol, também o trabalho educativo verifica o amadurecimento de seus frutos, gradativamente.

Sem esmorecer, pelo contrário, como aquele passarinho da fábula que enchia seu pequeno bico para ajudar a apagar o fogo da floresta, é que conclamo todos professores a que mantenham o ânimo! (Rivaldo A. Paccola - RG: 5.536.096)