A proposta, de um arquiteto recém-formado, é construir o Espaço Eco para a educação ambiental. Parque tem 43 hectares.
Um projeto de um arquiteto recém-formado pela Universidade de Marília (Unimar) tem como objetivo ampliar o aproveitamento dos 43 hectares do Horto Florestal de Bauru junto à comunidade. O parque, apesar de contar com programas de recreação e de educação ambiental, não é intensamente explorado pela população de Bauru.
Objetivo da idéia, de acordo com seu autor, Oliegen Leite Moreira, é criar um espaço que atenda a comunidade para discussão de questões ambientais, produção de pesquisa e estudo na Estação Ambiental, popularmente conhecida como Horto Florestal.
O prédio projetado para funcionar no Horto, denominado Espaço Eco, conta com ambientes para realização de exposições, salas de estudo, salas de pesquisa, biblioteca e estufa. O objetivo principal é atender e prestar serviço à comunidade, para que ela comece a encarar esse espaço como um lugar para caminhar, pesquisar e transmitir seus conhecimentos, reforça Moreira.
Além da construção do prédio principal, há também preocupação com a iluminação do local e criação de maior número de trilhas na mata. A finalidade é tornar o espaço mais agradável a seus freqüentadores.
Moreira destaca a intenção de explorar mais o Horto Florestal, considerando sua boa localização - fica na altura da quadra 38 da avenida Rodrigues Alves - e seus freqüentadores em potencial. O arquiteto acredita que a área é pouco utilizada. Aos finais de semana, cerca de 200 pessoas comparecem ao local como opção de lazer. É muito restrito o uso dela, acredita.
O projeto busca atingir a população da Vila Cardia, Parque das Camélias, Núcleo Geisel, Núcleo Octávio Rasi, Distrito Industrial e Núcleo Mary Dota, entre outros. O público-alvo são pessoas de todas as idades - de crianças a idosos.
Histórico
A Estação Experimental de Bauru, popularmente conhecida como Horto Florestal, pertence ao Instituto Florestal, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Ela foi criada em 1928 com o principal objetivo de realizar pesquisa e experimentação na área florestal, produzir mudas de espécies florestais e reflorestar com fins conservacionistas e produtivos.
A unidade foi reflorestada com cerca de mil espécies florestais nativas e exóticas adequadas à região. Possui trilhas, viveiro de mudas, pista de cooper, área de piquenique, playground, campos de futebol e de vôlei, quiosques, e sanitários.
Em 1996, em parceria com a Sociedade Educativa Gaia, foi implantado o Programa de Educação Ambiental, direcionado a alunos do maternal ao ensino médio e a grupos organizados da comunidade, como escoteiros, deficientes e terceira idade, entre outros.
O programa é mantido até os dias de hoje e atende principalmente estudantes. São oferecidas atividades lúdicas, jogos, passeios pelas trilhas e visitas ao viveiro de mudas.
De acordo com Eliana Angerami, coordenadora do Programa de Uso Público do Horto Florestal, a viabilidade de um projeto como o do arquiteto Moreira é necessária à Estação Ambiental porque o parque carece de estrutura física. Ela aponta também falta de vigilância e de monitoria no local. Falta estrutura para funcionamento, diz.
Eliana conta que em 1986 foi realizado um projeto para a implantação de um centro de visitantes no Horto Florestal. A idéia não teria sido colocada em prática por falta de verba.
Atualmente, a esperança de viabilizar a construção de um edifício que amplie a estrutura física de atendimento à comunidade no Horto Florestal aumentou em virtude da lei de compensação ambiental. Ela estabelece que as empresas responsáveis por obras de impactos ambientais devem destinar à região um percentual de sua receita. Estamos tentando parcerias para colocar nossos projetos em prática, reforça Eliana.
Projeto
O trabalho desenvolvido pelo arquiteto para o Horto Florestal prevê a construção de um edifício de 500 metros quadrados - o Espaço Eco -, que ocuparia uma área em que atualmente fica o campo de futebol.
A proposta é usar formas puras, como o cubo, o retângulo e a elipse. Trata-se de um bloco suspenso por pilares para aproveitamento da área térrea com outros tipos de atividades. Dessa forma, o térreo fica livre para atividades maiores, observa.
Os materiais pensados para a composição do edifício seriam estrutura metálica, concreto armado e madeira. O arquiteto recém-formado conta que priorizou a utilização de elementos da região.
Para Moreira, o projeto seria viável através de parcerias com a iniciativa privada em virtude do custo estimado para colocá-lo em prática. A verba necessária para colocar o Espaço Eco a ponto de servir à comunidade seria algo em torno de R$ 400 mil, afirma o autor do projeto.