Devemos falar algo da decoração natalina do centro comercial da nossa Bauru? Devemos e até mesmo precisamos, pois temos recebido não poucas manifestações de bauruenses e visitantes falando do evento. A tônica é de críticas, julgando a maioria que a cidade merece coisa melhor que esta, apresentada quase invariavelmente, todos os anos, nesta época de sonhos na qual sempre surge o tradicional Papai Noel com o saco de brinquedos às costas, com mínimas variações de locais e motivos. Ornamentação como esta qualquer burgo tem- invocam muitos leitores da coluna, acrescentando: Temos transitado, nos últimos dias, por cidades de Mato Grosso e Minas Gerais e observamos nelas montagens bem mais evoluídas e, sem dúvida, mais ricas artisticamente que as nossas. Outros mais vão além, ironizando: Não seja porque Jesus nasceu em ambiente realmente pobre que o centro bauruense tenha de ser submetido assim a uma ornamentação natalina tão humilde, além de repetitiva em vários aspectos. Descobrem-se razões de sobejo nas observações em tela? Não se tem por onde duvidar e, exatamente por isso, estamos com elas em gênero, número e grau, conforme o palavreado do vulgo. Então, a partir daí, concluímos que a velha chapa precisa mudar, ser submetida a algumas evoluções artísticas se possíveis e imagináveis. Assim pensando, achamos que caberia à administração municipal confiar a execução de projeto moderno a uma comissão inovadora que imaginasse algo diferente para a ornamentação de dezembro da região central ou, visitando cidades nas quais o tema já tenha alcançado outras alturas, auscultasse idéias para a renovação daquilo que se vai perpetuando entre nós, anos a fio, e, por essa forma, desencantando citadinos e visitantes por verem tanta pobreza nos arranjos e carência de arte nas formações. Não parece difícil - convenha-se - captarem-se e executarem-se motivos ornamentativos natálicos que encantem mais os olhos, encham os corações e se constituam em lembretes mais ressonantes do nascimento do Menino de Nazaré. E, se não é qualquer bicho de sete cabeças, mãos à obra. Nem argüir despesas altas para manter adornos mais bonitos e menos pobres pode a Administração invocar, porquanto com o volume de vendas no Natal as empresas da área canalizam para o poder público, em forma de impostos e taxas, acréscimos de receitas suficientes para cobrir o aumento da despesa. É a opinião dos outros e nossa também. Por que tanta tristeza se em volta da manjedoura do Menino era tudo alegria?
(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.