Hoje, toda produção de verduras e carnes é consumida internamente para manutenção dos 580 reeducandos.
A partir do próximo ano, a produção de verduras, legumes e, possívelmente de carne, pelo Instituto Penal Agrícola (IPA), poderá ser comercializada, afirma o diretor geral, Gilberto de Assis Oliveira. Ainda não fazemos isso, porque o objetivo primeiro é a auto-sustentação. Quando toda a área estiver produzindo, poderemos partir para a venda.
O diretor do Centro Agroindustrial, Ricardo Scriptore, lembra que a agricultura poderia ser benéfica para os detentos, se eles conseguissem montar uma cooperativa quando terminassem de cumprir a pena. Eles sabem cultivar a terra e se formassem uma cooperativa poderiam ganhar dinheiro e deixar a vida marginal.
Toda a produção do IPA é consumida internamente, por enquanto. O excedente, em pequena quantidade ainda, é doado para as instituições de caridade ou comercializado para os funcionários, explica Scriptore. Quando há excedente doamos para a Apae, Albergue Noturno, Casa do Garoto, Rafael Maurício e outras.
Uma parceria com o Serviço Nacional da Indústria (Senai) vai proporcionar mais uma opção de profissionalização aos detentos do IPA, a partir do ano de 2002, anuncia o diretor Gilberto Oliveira. Vamos oferecer cursos de soldador, eletricista etc.
Atualmente, a população carcerária pode optar pelo trabalho na lavanderia, padaria e alfaiataria. A sapataria necessita de investimentos, comenta Scriptore. Os equipamentos são muito antigos e não atendem às necessidades, por isso desativamos o setor, temporariamente.
Plantio gradativo
Quem foi ao presídio há um ano, se surpreende com a paisagem que existe lá hoje. São 15 alqueires com plantação de milho, que será usado para incrementar a ração dos animais. Cinco alqueires de cana que será triturada para alimentação de bovinos. Três alqueires de abóbora para consumo próprio e alimentação de suínos. Três alqueires de mandioca para uso no cardápio da população carcerária e suplementação alimentar dos animais, explica Scriptore.
De acordo com o diretor, há ainda o pomar com 350 pés que, na maioria não começou a produzir. São 50 pés de manga, 80 de caqui, meio alqueire de maracujá e laranja de vários tipos.
A horta ocupa dois alqueires divididos e 126 canteiros. Temos uma estufa para a produção de mudas. Cultivamos todos os tipos de verdura em folha, além da cultura solteira, berinjela, pimenta doce, pimentão, cenoura, rabanete, coco anão etc.
Cerca de 120 alqueires estão sendo utilizados como pastagens para as 430 cabeças de bovinos que exigem rodízio de pasto. Este pasto pode ser diminuído assim que o milho, cana e abóbora, usados para suplementação alimentar estiverem produzindo.
Há ainda uma área com terreno em declive que exigiria muitos recursos para poder produzir. Temos também, 20 alqueires de preservação ambiental e cinco alqueires com plantação de eucalipto para reflorestamento.
Para o próximo ano, a diretoria planeja montar uma estufa para produção de mudas e plantas ornamentais. O material necessário já está sendo adquirido. Além da agricultura, o IPA tem 430 cabeças de bovinos, 160 cabeças de suínos, 11 filhotes de javaporco e um javali reprodutor.