A cada quatro anos, o fenômeno se repete de forma idêntica em nosso calendário. É a junção de Carnaval, Copa do Mundo de Futebol e Eleições Gerais no Brasil. Pois 2002 tem tudo isso e muito mais para paralisar ainda mais nossa sofrível economia e nosso pífio desenvolvimento industrial. O ano começa em pleno verão de janeiro, época de férias de 1/3 da nação, incluindo Congresso Nacional, Poder Judiciário e a maioria do executivo nos três poderes.
O mês seguinte tem apenas 28 dias e um único objetivo em todo território nacional: o Carnaval! Festa pagã que imobiliza completamente o país por um mês inteiro e marca o teórico inicio do ano letivo, profissional e comercial para a maioria da população brasileira.
O ano então começa em Março, se estende por Abril e Maio, com as discussões acaloradas em torno da nossa seleção e do começo da Copa do Mundo de Futebol, que mais uma vez irá contar com nossos mercenários em busca de fama e consagração pessoal. Em 2002, a Copa será realizada na Ásia Japão e Coréia do Sul, trazendo um elemento a mais para o torcedor perder o sono, além da nossa fraca seleção, o fuso horário de vinte e poucas horas de diferença no relógio. Teremos jogos às 3h30, 6he 8h30 durante um mês inteiro.
Mas a copa termina e começa uma ressaca de um mês em torno do resultado alcançado pela nossa seleção, lá se vai então o mês de Julho. Chega agosto, com o horário político eleitoral e a guerra para ocupar as vagas a Governo Estadual, Senado e Câmara Federal e presidência da República.
Serão três meses perdidos em torno de mais uma eleição em que a preocupação político partidária estará sempre a frente dos verdadeiros interesses da nação. Um show de mentiras, demagogia e muita podridão irão invadir nossas vidas através do rádio e da televisão. Quando tudo terminar estaremos em meados de dezembro, já pensando no reveillon, nas dívidas a serem pagas com o que sobrou do 13.º salário, no ano de 2003 e na falta total de perspectivas para mais um ano perdido em solo brasileiro.
Nesse momento, ao olharmos para trás iremos constatar que 2002 foi mais um ano que passou em nossas vidas sem deixar absolutamente nada de positivo, a não ser pelo fato que estamos vivos, graças a Deus, e de que podemos e devemos lutar para mudar essa inércia, essa sensação de inutilidade, essa forma cordial de aceitar as imposições do poder dominante de nossas elites políticas e empresariais, no após ano. É preciso arregaçarmos as mangas e começarmos a enxergar que o Brasil é um país maravilhoso, cheio de oportunidades nos campos e nas cidades. É preciso votar com consciência e senso de responsabilidade para tentarmos livrar nossa pátria daqueles que não querem o seu desenvolvimento. Temos que começar pelas coisas mais simples no nosso cotidiano, combatendo eevitando o desperdício de alimentos, de água e de energia elétrica. Reciclando lixo para que o nosso futuro seja limpo e nossa ecologia seja presenteada com rios e lagos com peixes. Respeitando nosso semelhante no trânsito, para que as estatísticas transformem nossas ruas em apenas um trajeto de ida e volta.
É importante continuarmos com esperança e um sorriso na face, marca registrada da hospitalidade e generosidade de um povo que, apesar das muitas dificuldades, consegue ser solidário com o próximo. Essa vida é uma longa viagem e nós não podemos ficar parados na estação à espera das mudanças, temos que seguir em frente para modificarmos nosso destino e de nossas futuras gerações. (Rafael Moia Filho)