09 de julho de 2026
Geral

INÚMERAS "FOMES" DE NATAL

João Fernando Paluan
| Tempo de leitura: 3 min

É tempo de Advento, é tempo de Natal, e ao mesmo tempo fluem as sensibilidades em prol daqueles, que por um motivo ou outro, não terão suas inúmeras fomes de natal saciadas. Louvável toda e qualquer iniciativa para prover aos mais necessitados que, pelo menos, em uma vez ao ano poderão, mesmo que de maneira mais simples, saciar a fome de comida.

Fico pensando a todo instante por que apenas nesta época as pessoas, comunidades, igrejas, ONGs e tantas outras instituições, conclamam-se a arrecadar toneladas de alimentos, para que de uma forma ou outra, no dia de Natal, possam estar à mesa felizes, pois neste dia, a comida existe.

Há que se explicar que o ano possui 365 dias e que, em apenas um dia, os mais necessitados serão felizes, e não se preocuparão em prover seus filhos e demais familiares da fome? Como ficam os outros 364 dias....com fome?

Salvo raríssimas exceções, ainda existem grupos e pessoas que pensam nos demais dias do ano e, mesmo de uma forma muito tímida, conseguem auxiliar aqueles que realmente são necessitados. Mesmo assim, ainda me pergunto, será que para a nossa sociedade ser mais consciente de seupapel de agente transformador, devemos continuar pensando em saciar apenas a fome de comida?

Ora, com certeza vão responder que saco vazio não pára em pé... obviamente que concordo, mas penso que são tantas as fomes do povo brasileiro e da humanidade em geral, que saciar apenas a uma delas,nunca teremos atingido qualquer objetivo que eleve nossa gente a um patamar social mais respeitável dentro ou mundo afora.

Acredito que um verdadeiro cidadão somente existe se existir uma estrutura real que satisfaça não somente suas necessidades primárias, mas que venha saciar sua fome de educação, de cultura, de saúde, de alegria, de diversão, de valores éticos, morais e espirituais, de emprego, de Deus, de uma sociedade engajada verdadeiramente em promover o bem do próximo, independentemente de qualquer forma de reciprocidade ilícita e que não se fixe somente no espirito natalino, quando nossos corações tendem a amolecer em prol do sofrimento alheio.

Mas existem as fomes que nunca deveremos nos empenhar em saciar, afinal, estas são as desgraças da humanidade, portanto, deixem morrer de fome a ganância, o materialismo exacerbado, o hipocrisia, a falta de amor, as guerras e matanças absurdas em nome de Deus, o analfabetismo, a miséria moral e tantas outras fomes que ainda estão por vir.

Se pensássemos que o Natal, Ano Novo, Dia das Mães, dos Pais, Páscoa, das Crianças e tantos outros dias que existem em nosso calendário fossem todos os dias do ano, quem sabe as ações fossem menos isoladas e mais produtivas em todos os segmentos da sociedade. Há de se pensar nesta possibilidade.

Que na noite de Natal nossos presentes sejam um abraço sincero, um sorriso verdadeiro, uma mente sã, um coração puro, uma família unida, uma amizade honesta e um amor irrestrito. Afinal, este é dia dacelebração do amor por Aquele que, de tanto amor, nasceu e morreu por nós. É por Ele que faremos esta festa, portanto, você lembrou de convidá-lo? Se não o fez, ainda há tempo... anda logo... liga pra Ele... mande um e-mail... uma telemensagem... enfim, esteja com Ele todos os dias de sua vida. Feliz Natal! (João Fernando Paluan - RG 9.827.616)