08 de julho de 2026
Geral

Bem ou mal, é melhor ser otimista!...

(*) José Almodova
| Tempo de leitura: 3 min

A esperada presença que tínhamos do novo milênio e conseqüente início do presente século chegou-nos tão rapidamente, parece que aconteceu ontem mesmo... Eivada de preo-cupações, a humanidade como que se revestiu de esperança, em geral sob pensamentos positivamente otimistas. Afinal, era o novo ano que se aproximava -nostalgicamente - porque não se tratava apenas da mudança do milênio, século 20 (deixando atrás como coisa do passado), mas da esperança de se adentrar aos terceiro milênio, novo ano e século 21, sob a intenção de passarmos a viver um mundo melhor. Talvez fosse tudo o que de positivo se esperava, ao antever especiais oportunidades positivas da aguardada nova Era Cristã.

Neste instante eis que surge alegre em alto e bom som - aqui na Nações Unidas - uma caravana esplendorosamente iluminada, entoando uma das lindas e festivas canções do tributo prestado à figura do Bom Velhinho, para gáudio de supostas crianças ainda ingênuas. Então, assomando-me à janela do escritório com vistas à avenida, me envolvo no ambiente ruidoso, porém, alegremente passageiro. Passada a caravana, retorno à preocupação de esboçar e prosseguir o artigo, já que estamos a poucos dias de vencer este primeiro ano que inicia o novo milênio que vivemos. E o faremos enquanto pudermos - eu, particularmente comigo mesmo - servido pelo escritório, meus equipamentos, estantes de livros e meu nicho de orações diárias, devotadas a Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida. A malfadada situação criada pelo terrorismo que abalou o mundo em 11/9, seguida das conseqüências que se desenrolam no Afeganistão e sob veemente retaliação, é coisa que ninguém sabe até onde vai chegar. Mas que supostamente possa gerar inevitáveis desastres capazes de no mínimo, deixar farpas que possam atingir-nos na América do Sul, exigindo - no contexto - envolvimentos em situações militares e ou políticas intempestivas, inesperadas e abjetas... Não é nada do que pretendemos, se no momento (com os olhos no futuro próximo) quisermos viver expectativas de crescimento econômico, coisa que neste ano não andou bem das pernas, muito embora não se esperasse excelentes resultados. Na verdade, vamos gramar um PIB, de no máximo 2,5%, enquanto a previsão teria sido de 4%, enquanto - como já se sabe - 60% dos empresários estão insatisfeitos com o resultado econômico de suas empresas. O pior é que, para 2002, o PIB esperado deve ficar no mesmo patamar deste ano corrente, enquanto que a esperança da inflação gira em torno de 7% e não como 4% que era esperado. É bem verdade (que de modo geral), olhando para a situação da economia mundial de bens e serviços dos países cujas perspectivas eram importantes, tal como: Estados Unidos, Japão, Alemanha, não ultrapassarão a 2,4% e que na América Latina o crescimento não haverá de ultrapassar a 1%. Resultados estes que, jamais devem servir de exemplo favorável à acomodação do Brasil. Ao contrário (há que se fazer das tripas o coração), de olho no exemplo do desempenho da balança comercial, que neste ano fechará com saldo positivo, cujas exportações devem se aproximar de US$ 60 bi, enquanto a balança comercial promete fechar com saldo positivo de US$ 1,5 bi ou mais. Um surpreendente baile diferencial entre o pessimismo de antes de setembro e o otimismo atual, como primeiro superávit ocorrido desde 1994, quando contabilizamos um saldo de US$ 10,5 bi. Assim, de lá para cá, a introdução do real forte e a abertura comercial da economia desembocaram em déficits seguidos... Porém, a recuperação do superávit da exportação de 2001 (reversão das expectativas), indica o balizamento da continuidade das exportações do Brasil. Como a frase que equivoca os muito distraídos: exportar é o que importa.

(*) José Almodova é professor Mestre em Projeto, Arte e Sociedade pela Unesp-Bauru.