08 de julho de 2026
Geral

Oito estão com suspeita de dengue

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos doentes, com todos os sintomas da doença, está internado. A quantidade de criadouros do Aedes alarma o DSC.

Após anos seguidos de epidemia de dengue em Bauru, a doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, volta a preocupar. Ontem, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, divulgou que oito pessoas estão sob suspeita de estarem com dengue. O caso mais grave é de uma pessoa, que mora no Jardim Prudência, que está internada.

O DSC aguarda análise do material coletado das pessoas sob suspeitas, enviado ao Instituto Adolfo Lutz. No caso da pessoa que está internada há fortes indícios de que o exame resulte em positivo. Segundo o coordenador do Programa Municipal de Combate à Dengue, Flávio Tadeu Salvador, os outros exames aos quais o paciente foi submetido deram negativo, o que reforça a possibilidade de dengue.

A principal preocupação do DSC é com a probabilidade de ocorrência de dengue hemorrágica, que é fatal em 70% dos casos, de acordo com Salvador. A forma hemorrágica da doença ocorre quando uma pessoa que já teve dengue é picada por um mosquito que carrega um sorotipo diferente.

Como há sete anos seguidos Bauru vem registrando um número alto de casos de dengue, há risco da forma hemorrágica caso ocorra nova epidemia na cidade. De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Combate à Dengue, o Jardim Prudência e a Vila Nova Esperança são os bairros que mais preocupam.

Duas equipes do programa intensificaram os trabalhos de busca ativa nas imediações da casa da pessoa sob suspeita que está internada. Os agentes de combate à dengue ficaram alarmados com a quantidade de focos do mosquito Aedes aegypti. Em 12 quadras visitadas no bairro foram recolhidas 24 amostras de larvas.

A região estava sendo visitada por apresentar o maior índice de Breteaux (quantidade de larva do mosquito) nos últimos três meses. Mas outros bairros também podem estar com infestação alta porque há muito recipiente que acumula água abandonado, principalmente em terrenos baldios, podendo ser criadouro do mosquito.

Maria Celina Lobato Une, que mora no Parque Vista Alegre, disse que a sua preocupação com a dengue é constante. Ela mora na quadra 1 da Alameda Resedás, perto de vários terrenos baldios com muito entulho e lixo acumulado. A gente vive brigando com as pessoas que trazem lixo e entulho, mas na maioria das vezes não adianta nada. Elas deixam tudo nos terrenos baldios e no meio tem muita coisa que acumula água, disse.

Ela contou que com a ajuda dos vizinhos costuma capinar e limpar terrenos baldios, mas em poucos dias já há mais entulho, lixo e animal morto. Um dos principais pontos de acúmulo de lixo e entulho no Parque Vista Alegre, segundo Maria Celina, é a rua Gomes Berriel Filho.

Construções abandonadas e casas desabitadas são outros locais de grande probabilidade de tornarem-se criadouros do mosquito transmissor da dengue. O risco aumenta quando recipientes que podem acumular água são deixados nos quintais, como na quadra 3 da rua Sorocabana, nos Altos da Cidade. No quintal de uma casa para alugar, a reportagem encontrou latas de tintas vazias, baldes velhos e várias embalagens vazias de marmitex.