09 de julho de 2026
Geral

Cresce opção por maternidade tardia

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Cada vez mais, a mulheres brasileiras priorizam a carreira profissional e deixam para ter filhos após os 30 anos.

Ser mãe, atualmente, é um projeto de vida que pode ser concretizado mais tardiamente, graças à evolução da Medicina. A realização profissional e pessoal estão entre as prioridades da mulher contemporânea. Porém, quando ela deseja engravidar com mais de 30 anos, depara-se com obstáculos físicos e psicológicos. Adotar uma criança ou até mesmo um animal de estimação pode ajudar o casal a vencer a ansiedade e a conquistar a gravidez tão desejada.

Dos 20 aos 35 anos, as chances de uma mulher engravidar são de 23%, para uma relação sexual normal durante os 12 ciclos. A taxa diminui gradativamente e aos 40 esta mesma mulher, nas mesmas condições, sem doenças de base, terá apenas 8% de chance de engravidar-se explica o ginecologista e obstetra Eduardo Crivelari Baisch.

De acordo com o especialista, quando a mulher começa a ovular, na adolescência, por volta dos 14 anos, ela tem 400 mil óvulos. Ela passa a ovular uma vez por mês. Esses óvulos não são repostos. Quando eles acabarem, essa mulher estará na menopausa, frisou.

A partir dos 35 anos há, segundo o ginecologista, uma queda na taxa de fertilidade porque a mulher passa a ter poucos folículos no ovário e sua capacidade de engravidar também diminui. Baisch observa que nos países industrializados e mais recentemente no Brasil as mulheres estão adiando a maternidade e priorizando a carreira. Hoje, elas pensam primeiro na realização profissional e depois é que vão pensar em ser mãe, disse.

Bloqueio psicológico

Depois de ter ou não alcançado seu status profissional, a mulher busca a maternidade como realização pessoal ou quem sabe para satisfazer um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Após várias tentativas, surgem a ansiedade, o medo, a tensão e a angústia, que são bloqueios psicológicos que podem impedir a gravidez.

A psicóloga Luciana Bien Neuber explica que quando o desejo de tornar mãe é frustrado, as mulheres percorrem um caminho árduo até a concretização do desejo. O estado emocional é um dos fatores que contribui para o bloqueio emocional da fecundação, disse.

Inúmeros sentimentos passam a afetar o casal que busca a gravidez e não a consegue. O tratamento gera expectativa, preocupação e ansiedade, ressaltou a psicóloga. De acordo com ela, os obstáculos psicológicos podem ser vencidos com a adoção de uma criança ou até de um animal de estimação. Há casos em que o casal desiste da gestação. Com isso, a ansiedade, o medo e a tensão diminuem e a mulher engravida.

Isso ocorre porque o casal desvia o foco até então centrado no desejo de gerar um filho, explica a psicóloga. O casal relaxa e naturalmente a gravidez ocorre. Existem causas totalmente ou parcialmente psicológicas, lembrou. A avaliação do médico aliada à avaliação psicológica pode auxiliar o casal.

Neuber lembra que o desgaste profissional pode prejudicar a vida sexual do casal. Uma relação sexual produtiva em todos os aspectos necessita de boas condições físicas e psicológicas. O intenso fluxo de trabalho ocasiona cansaço mental e emocional.

Mais madura

Eclair Geraldo Scarp tem 35 anos e espera seu primeiro filho. A balconista, que casou aos 31 anos, aproveitou o casamento por quatro anos para, depois, pensar em filhos. Optei por esperar. Queria curtir meu marido e o casamento, disse.

Neste período, ela resistiu as pressões da sociedade. Todo mundo perguntava porque eu não engravidava. Eu respondia e não deixava me contaminar. Sabia que não era a hora certa, contou.

A gravidez foi uma decisão consciente do casal. Acho que a hora é esta. Estamos mais maduros e seguros para educar uma criança. Percebo que mães mais jovens não educam adequadamente, por falta de experiência de vida, disse.

A idade, na opinião dela, não pesou na decisão. Não me preocupei com isso. Estou no nono mês de gravidez e tudo está normal, comemorou.

Mito

A gravidez depois dos 30 assusta as mulheres por causa dos mitos criados em torno de doenças que poderiam afetar os bebês, segundo o ginecologista Marcos Cabello. O médico explica que um dos medos enfrentados pelas mulheres é quanto a má-formação da criança. Hoje existem exames, como a ultra-sonografia, que ajudam o médico a detectar qualquer anormalidade, contou.

Na luta contra a má-formação dos bebês existem, também, segundo o ginecologista, medicamentos. O ácido fólico ajuda a prevenir a má- formação do cérebro e da coluna. Tem que ser usado durante toda a gestação, disse.

Cabello lembra que as mulheres com mais de 35 anos, quando engravidam, podem apresentar hipertensão arterial, diabetes gestacional e parto pré-maturo. O acompanhamento médico é fundamental porque para cada problema há uma solução.