11 de julho de 2026
Geral

Araraquara está no traçado de outro gasoduto de gás natural

Por Carlos Corrêa | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Especial para o JC

Araraquara - O município está no traçado de um segundo gasoduto, que trará gás natural da Bolívia para Argentina, Paraguai e Brasil. O projeto do Gasoduto da Integração (Gasin) foi anunciado na semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em reunião com ministros da área de energia. Resulta de uma parceria da Petrobras com a empresa italiana Snam do grupo Eni Agip -, e terá investimentos da ordem de US$ 12 bilhões, dos quais US$ 5 bilhões na construção e US$ 7 bilhões indiretos. A concepção básica do projeto foi desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná (ATDP), que participa do acordo empresarial como promotora, articuladora e divulgadora do Gasin, que deve entrar em operação no início de 2005.

O Gasin terá 5.250 km de extensão e vai trazer gás natural da Bolívia para Argentina, Paraguai e Brasil. Partindo dos campos do sul da Bolívia, o gasoduto passa pela Argentina, dando origem a um ramal para atender a capital do Paraguai. No Brasil, entra pelo oeste de Santa Catarina e percorre 3.450 km até Brasília.

A partir do tronco principal, ou por meio de ramais, o gás deve chegar a Pelotas e Santa Maria (RS), Xanxerê (SC), Maringá e Londrina (PR), Araraquara e Ribeirão Preto (SP), Uberaba e Uberlândia (MG) e Goiania (GO), e muitas outras cidades ao longo do trajeto. A faixa de impacto imediato alcançaria aproximadamente 350 mil quilômetros quadrados - mais de 4% do território nacional.

A assessoria de imprensa da ADTP informou que o trajeto do novo gasoduto ainda não é definitivo e pode ser alterado durante os estudos de viabilidade. Segundo a assessoria, o Gasin não deve inviabilizar a construção do ramal do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) entre o city-gate de Boa Esperança do Sul e Araraquara pela Gas Brasiliano, que vai distribuir o gás natural à região Nordeste do Estado, já que esse é um empreendimento consolidado. A reportagem não conseguiu contato com a diretoria da Gas Brasiliano para falar sobre o assunto.

A capacidade inicial estimada do gasoduto é de 30 milhões de metros cúbicos, que vão se somar a mais 40 milhões de metros cúbicos do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), que já incluem 10 milhões de metros cúbicos de sua ampliação.

De acordo com estimativas recentes, o Brasil precisará de novas fontes de gás natural a partir de meados da década atual. A previsão é que o consumo atinja os 90 milhões de metros cúbicos/dia em 2005. Para 2010, há previsão de demanda de 140 milhões de metros cúbicos/dia.

A Petrobras tem as reservas e o grupo Eni Agip o mercado, disse o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Antonio Luiz Menezes. O novo gasoduto contribuirá também para a diversificação da matriz energética brasileira, promovendo a elevação da participação relativa do gás. O programa energético brasileiro estima que a participação do gás suba de 3% em 2000 para 12% até o final da década.

Segundo a ATDP, o Gasin será um estímulo ao desenvolvimento regional. O traçado básico, além de trazer gás natural para o Brasil por um novo caminho, atende aos principais pólos dinâmicos regionais que hoje não são beneficiados por gasodutos, contribuindo para a atração de investimentos e a desconcentração geográfica das oportunidades de crescimento.