08 de julho de 2026
Geral

JESUS CRISTO E AS TRADIÇÕES

José Quaglio
| Tempo de leitura: 2 min

Ninguém deve olvidar que, em decorrência da aproximação do Natal, ocorre, além de maior emotividade nas pessoas, toda uma preparação muito bem articulada para que haja o aquecimento das vendas no comércio, em geral, ou seja, tudo preparado para que fique propício ao consumo. Se por um lado podemos apontar, como aspecto positivo, sagradas oportunidades para que muitos desempregados possam trabalhar e ganhar o pão de cada dia, por outro, entanto, podemos observar que nas comemorações ainda se praticam todo tipo de excesso originário, acima de tudo, do materialismo exagerado e dos vícios encrustrados na alma do homem. O exemplo mais acentuado de vício, no Natal, é a gula que aliada a outras modalidades de desregramentos, é capaz de gerar desavenças, desequilíbrios e desatinos, de tal forma que podem acarretar desestruturações individuais e até familiares cujos resultados engrossam, por demais, nesse dia, o rol de violências.

Se, atualmente, contando com a garantia da liberdade de expressão, fosse garantida a palavra ao Mestre Nazareno para que Ele expressasse sobre a notória substituição de valores espirituais pelos materiais em especial na data da comemoração do Seu aniversário, o que faz prevalecer, de há muito, uma tradição materialista (que dita, de forma impiedosa, as regras do comércio desenfreado), poderia muito bem, ao utilizar-se dos seus relatos, segundo Marcos (7:1-23), fazer uma analogia com a ... tradição dos anciãos. O que contamina o homem. Isto porque, naquela época, o formalismo era tão exagerado e escravizante que, segundo o citado evangelista os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras cousas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal e camas.... Hoje, no entanto, as pessoas se sacrificam e até se escravizam sobremaneira para agradarem e satisfazerem uns aos outros com presentes materiais de todo tipo; chegando, em muitos casos, a comprometerem os seus parcos recursos para poderem praticar essa perversa tradição implantada e cultuada há muitos e muitos anos. E o que é mais grave: muitos agem, na maioria das vezes, de forma automática e sem se aterem ao verdadeiro sentido da mensagem do aniversariante Jesus estribada no puro amor, paz e fraternidade incondicionais.

Daí que, em plena consonância e coerência com o que ensinou, há quase dois mil anos, se fosse interpelado, hoje, pelos idealizadores e mantenedores dessa tradição materialista embrutecida, Jesus, por não pactuar desses exageros que ainda nos acometem, certamente adverteria nos moldes de outrora: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição (Marcos 8-9). (José Quaglio - OAB-SP. 71.930)