09 de julho de 2026
Geral

O NATAL, A MESA FARTA E OS LÁZAROS

Pedro Valentin
| Tempo de leitura: 3 min

O Natal, que deveria ser uma data de relembrar o amor e a humildade de Cristo e a partir dai semearmos a solidariedade entre as pessoas, há muito tempo se transformou numa mera data comercial. Isto para felicidade de uma minoria e infelizmente tristeza, depressão, angústia e falta de auto-estima de uma grande maioria. Uma das principais causas de tais transtornos psicológicos sem sombras de dúvidas é a injustiça social, o desemprego, a crise familiar, etc...

Mas nem por isto devemos esquecer de refletir a atuação individual nossa neste Natal. Na vida o recuo estratégico de hoje pode se transformar numa grande vitória de amanhã. No entanto, o recuo não deve significar o acomodamento e a convivência com a mentira, a falsidade, o preconceito, a indiferença seguida de exclusão.

O Natal é bom porque pelo menos na hora da bebedeira e da comilança surge um surto momentâneo de sentimento de culpa por parte dos mais abastados pelos excluídos. E é sempre nestes momentos e datas que aparecem as brilhantes idéias de distribuir cestas básicas, bolsas esmolas, campanha contra a fome e outras. Entretanto, distribuir renda e dar uma boa educação pro povo nem pensar. Sempre foi assim, na mesa farta e hipócrita dos fariseus admite-se algumas migalhas para os milhões de Lázaros da nossa sociedade. Mas ai deles se reivindicarem o vinho, o champanha e o peru. Com certeza serão excomungados e perseguidos iguais aos cristãos jogados nas covas dos leões. E os argentinos cujas chagas receberam como remédio o estado de sítio e a truculência militar!

Engana-se quem acha que no Natal as pessoas tiram a máscara e começam a praticar o que pregam para o vizinho ou para terceiros. Nada disto, daí a importância de sempre vigiar mesmo se você tiver tomando o mesmo cálice dos simpáticos canalhas e daqueles a fingirem te amar. Mas se for possível, afaste-se deles.

Também não posso só analisar o lado negativo se não corro o risco de ser tratado de revoltado e não de racional. Que tal se imitássemos o nobre e singelo gesto de Jesus que lavou e beijou os pés dos seus discípulos, mesmo sendo o mestre? Se nos dias de hoje o quanto é difícil para alguém lavar ou beijar o pé de outro, no entanto poderíamos substituir este humilde gesto ao pararmos de discriminar os negros, os homossexuais, as mulheres, os velhos, os pobres, os deficientes físicos, os índios e por aí vai...

Sonhar não custa nada e uma sociedade mais fraterna depende do ato de cada um de nós. E principalmente dos mais informados que jamais devem trocar a sua consciência crítica por cargos ou um prato de lentilhas.

Gostaria de ensejar um Bom Natal e Próspero Ano Novo para todos os colaboradores da Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade e aos bauruenses em geral. E gostaria também de parar de pensar e sim ter certeza que um dia todo mundo possa ser filho de Papai Noel.

PS: A cota para negros já é uma realidade no Brasil. Não se trata mais de ser contra ou a favor. E o Governo Federal está tendo um papel preponderante para tal acontecimento e isto deve ser reconhecido. Só não está mais avançado o processo porque nós, negros, somos desunidos e salvas raríssimas exceções, a consciência da raça ainda não se libertou da Marquês de Sapucaí. (Pedro Valentin - RG. 19.198.011-0)