11 de julho de 2026
Geral

Pelo menos 15 barracos formam favela que surgiu às margens do córrego Água Comprida, no Núcleo Geisel. Na foto, a viúva Marina Correia, 73 anos, que ficou sem dinheiro para pagar o aluguel e mudou-se para um barraco.

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A viúva Marina de Lima Correia, 73 anos, sem dinheiro para pagar aluguel, mudou-se recentemente para um barraco de um cômodo, construído com pedaços de madeira, em um terreno entre as ruas dos Cajueiros e Nio Miyashiro, às margens do córrego Água Comprida, no Núcleo Geisel. A casa dela é a 15.ª de um aglomerado de barracos existentes no local, que abrigam cerca de 30 pessoas, formando a mais nova favela de Bauru.

Por sua localização, o local já é conhecido como favela do Sambódromo, mas ainda não aparece nas estatísticas oficiais. Sem rede de água, os moradores recorrem a uma mina próximo ao córrego Água Comprida e a torneiras comunitárias do Sambódromo e de outros locais da cidade. Dos 15 barracos existentes, apenas quatro ou cinco têm energia elétrica, numa ligação comunitária. Na falta de rede de esgoto, eles usam fossas.

O carroceiro Aparecido Donizete dos Santos, 37 anos, é o morador mais antigo da faixa de terra onde estão os barracos. Ele disse que o terreno pertence a um espólio e tem autorização de uma das herdeiras para morar no local. Santos, assim como vários moradores da favela do Sambódromo, sobrevive da coleta de material reciclável, que é transportado na carroça.

Considerado o responsável pelo terreno, Santos autorizou e até ajudou a viúva Marina de Lima Correia a construir seu próprio barraco. Ele explicou que acolhe qualquer pessoa que esteja com dificuldade para pagar aluguel e queira erguer um barraco no terreno. Quem precisa pega um lote, cerca e constrói o barraco, disse.

Os irmãos José e Nélson Prado, que têm um barraco na favela do Sambódromo, acham que as condições de vida melhorariam muito se houvesse energia elétrica e redes de água e esgoto. José, que faz serviços de pedreiro e capina terrenos, contou que chegou a comprar um poste por R$ 390,00, que ele está pagando em seis parcelas, mas até agora não conseguiu que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) instalasse energia elétrica em sua casa.

O pedreiro contou que decidiu mudar-se para a favela do Sambódromo há oito meses, por falta de dinheiro para pagar aluguel. Para erguer seu barraco, ele disse que precisou tapar uma erosão que existia no local. A faxineira Aparecida Donizete dos Santos mora na favela, com os dois filhos, há um ano e meio.

Irmã de Santos, ela mudou-se para o local após separar-se do marido. A casa dela é uma das poucas que tem energia elétrica, mas ela reclama da falta de água canalizada e de esgoto. Os dois filhos da faxineira estudam em escolas do Geisel, onde estão o núcleo de saúde e creche usados pelos moradores da favela.

Apesar do barraco já ter sido destelhado na primeira chuva forte, a viúva Marina de Lima Correia disse estar contente na nova casa. As roupas e os poucos pertences da viúva ficaram encharcados. Ela sobrevive com cestas básicas doadas pela Igreja Católica e disse estar gostando da nova moradia e da vizinhança. Aqui todo mundo é conhecido. Os vizinhos ajudam. Eles é que ajudaram a construir meu barraco, finalizou.