A artista plástica Rosa Iwasa busca formas e cores na natureza para construir telas carregadas de um olhar crítico e sensível.
Eu mergulho na terra, mergulho na água, mergulho no ar... Com esta frase, a artista plástica Rosa Iwasa comenta sua trajetória artística. Sempre com um olhar crítico e ético em relação ao meio ambiente, o trabalho de Rosa carrega a sua marca, onde estampa as cores e formas da natureza.
A artista contemporânea equilibra seus estudos entre o urbano e o ambiental. A metrópole é um elemento forte em suas criações, cravadas em telas por ela mesmo produzidas. Nesse constante olhar de lunático, como ela mesmo diz, aquele que vê a Terra da Lua, Rosa encontra subsídios para criar e mostrar um ângulo diferente do dia-a-dia.
Nesse relação com o meio ambiente, o peixe tornou-se um importante elemento em seus devaneios artísticos. Atualmente, Rosa produz obras onde o peixe é o personagem principal. A minha relação com o peixe é antiga, comenta. Quando eu tinha depressão, eu sonhava que estava pescando. O pescador entende muito bem, pois é nesse cenário que ele encontra sua tranqüilidade e se desliga dos acontecimentos diários.
Ela comenta também que o primeiro salão de arte contemporânea que participou, em Curitiba, sua obra tinha um peixe. Um dos primeiros quadros que vendi em Bauru também carregava um peixe, lembra.
Para desenvolver seus trabalhos, que variam em formas e tamanhos, chegando a proporções 1, 2 e até 3 metros, Rosa realiza pesquisas sobre vários temas. A Internet é uma importante aliada, oferecendo subsídios para a materialização da criação.
Mas quando o assunto é peixe, a pesquisa encontra amparo na própria artista, que também é pescadora. Pescar é uma delícia! Para ela, a pescaria tem algo de divino, uma ligação com a questão instintiva da sobrevivência. As pessoas falam em meditação, ioga... mas na pescaria, eu me desligo de tudo! Quando as pessoas estão pescando, estão pescando mesmo... A proximidade com a água traz benefícios para o homem. Sempre desejei morar perto do rio, do mar... onde você tem qualidade de vida, completa Rosa.
Obra e meio ambiente
A artista Rosa Iwasa cria com muita intensidade, da mesma forma que reorganiza suas criações, refaz trabalhos e inventa técnicas. Com as mãos marcadas e manchadas, ela busca suportes, objetos, texturas e transforma uma idéia em arte. Em um processo criativo que pode demorar anos ou dias, há fases distintas e outras nem tanto. Porém, a marca de sua postura crítica com relação à degradação do meio ambiente pode ser observada constantemente, mas sem abandonar a estética.
A obra Saga da Amazônia é um outro exemplo de seu trabalho. Inspirada na música preferida de Chico Mendes - Saga da Amazônia -composta por Vital Farias, a tela foi premiada no Salão de Franca. É como uma vista área da mata, uma imagem de um dragão, onde utilizo areia, representando a desertificação da Amazônia.
Ela acredita que o fato de ser mulher interfira na sua obra. A mulher é mais preocupada com o planeta, que pode ser comparado a um grande ninho. Ela enfatiza o estilo brasileiro, que merece mais atenção e valorização. É preciso viver o nosso estilo de vida. A riqueza do é o nosso país, nossos rios, nossas matas, é preciso que cuidar disso! Como o seringueiro que cuida da árvore, o pescador deve cuidar do rio, comenta a artista.
Pesquisa
A artista também está buscando viabilizar seu projeto Brasil Rei de Paus pela Bolsa Vitae. É uma pesquisa sobre os troncos das árvores brasileiras. Além disso, ela faz uma pesquisa sobre solo, que vai resultar em outro projeto.
Ela acha importante trabalhar temas que envolvam a relação do homem com o meio. Muitas vezes se coloca o ser humano como vítima, mas é ele quem invade a colina, invade o rio, invade a floresta, deixa seus resíduos... O homem é um depredador, finaliza.
A artista Rosa Iwasa é formada em Educação Artística - habilitação em artes plásticas - pela Unesp de Bauru. Contatos pelo e-mail rosaarte@terra.com.br ou pelo telefone (14) 239-2465.