O bolinho de arroz é uma tradição japonesa que é realizada no Brasil da mesma maneira que no Japão, sem diferença
Cerca de 40 japoneses, que fazem parte do Templo Nambei Honganji de Bauru, estiveram desde às 5 horas da manhã de ontem, preparando o moti, um bolinho feito de arroz, que faz parte de uma tradição japonesa. O moti significa sorte para toda a família durante o novo ano.
A preparação do moti é artesanal e leva mais de um dia para ficar pronto. Os japoneses, muitos já idosos, trabalham voluntariamente para ajudar a igreja a arrecadar dinheiro para a manutenção. Os motis são encomendados com um mês de antecedência e vendidos a R$ 7,00 o quilo.
De acordo com o relações públicas e tesoureiro da igreja, Massaru Ogino, 66 anos, essa é uma tradição japonesa que é realizada no Brasil da mesma maneira que no Japão, sem nenhuma diferença. No Templo, os japoneses fazem o moti para vender porque precisam angariar fundos para a manutenção da igreja. Atualmente, cerca de 250 famílias freqüentam o Templo.
Foram comprados, para este ano, 450 quilos de arroz, o que rende em torno de 600 quilos de moti. O arroz utilizado é especial para que o bolinho possa ser produzido como manda a tradição. Este ano, os japoneses compraram o arroz de um produtor da cidade de Registro. De acordo com o presidente do Templo, Kiuroku Sasaki, a qualidade desse arroz é melhor do que o comum que conhecemos.
Preparação
Para preparar o moti, o arroz é lavado e fica de molho por 24 horas, depois se escorre e se cozinha a vapor, sem nenhum tipo de condimento. Esse arroz cozido é passado por uma máquina própria onde o transforma numa massa homogênea em exatamente oito minutos. Sasaki contou que antigamente não havia a máquina e o arroz era amassado com um instrumento muito parecido com o pilão. Mas era muito cansativo e só conseguíamos fazer pouco moti, disse.
A massa então é cortada em partes iguais, formando um bolinho redondo. Depois é só esfriar e já está pronto. Eles preparam também, um doce de feijão e recheiam alguns bolinhos com o doce.
No dia 1.º de janeiro, os japoneses comem o moti e oferecem o osonare (um moti em cima de outro) ao Deus de sua devoção nos altares existentes em suas casas. O osonare varia de tamanho conforme a riqueza da família, segundo Sasaki. Quem é rico faz o osonare bem grande e quem é pobre faz um pequenininho, explicou.
O moti é feito exclusivamente de arroz, a principal comida do japonês. O osonare significa agradecimento pela lavoura, boa safra e bom ano e pede para que durante o novo ano, a safra do arroz seja ainda melhor. Esse ornamento fica durante todo o dia 1.º exposto no altar em forma de oferenda, depois todos da família comem os bolinhos, que de acordo com Ogino não estraga fácil.
Sasaki, 81 anos, vive no Brasil há 65 anos. Ele disse que para ele, essa tradição faz parte de sua cultura e além de sorte, o moti significa coisas boas para toda a família. Amanhã, os japoneses se reunirão no clube Nipo de Bauru, onde realizarão a cerimônia cívica de Ano Novo.