01 de janeiro de 2026
Bairros

Cidade vive o drama das inundações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

As chuvas que desabaram sobre Bauru na tarde e no início da noite de ontem encontraram a cidade - mais uma vez - desprovida de obras de infra-estrutura contra enchentes e indundações e pioraram a situação caótica que aflige, direta ou indiretamente, milhares de pessoas. Alagamentos, erosões, desbarrancamentos e interdições compuseram o cenário desolador, que se repete, ano a ano, em meio ao choro e à angústia da população, sem que providências sérias e eficazes sejam adotadas.

Entre duas a três mil casas foram inundadas, total ou parcialmente, segundo cálculos preliminares da Defesa Civil. Pelo menos 30 pessoas tiveram que ser transferidas para casa de parentes ou amigos. O Corpo de Bombeiros recebeu cerca de 200 chamados referentes aos estragos causados pelas águas.

Muitas das solicitações eram de pessoas cujas casas estavam sendo invadidas pela enxurrada. Alguns moradores perderam não só móveis e objetos pessoais, como “pedaços” de suas residências. No Jardim Estoril, uma casa foi atingida por um raio e sofreu princípio de incêndio.

Um dos pontos mais críticos registrados ontem foi a rua Miguel Débias, no Pousada da Esperança I. A situação foi agravada pelas condições das vias públicas. A intransitabilidade das ruas erodidas e esburacadas impediu o acesso de equipes do Corpo de Bombeiros para socorrer residências afetadas.

O muro de uma casa que fica na quadra 3 da rua Joaquim Gonçalves Soriano, no Pousada da Esperança I, caiu em decorrência de uma erosão que chegou ao portão da residência. “Eles estão chorando. A mulher está desesperada porque nem acabou de pagar a casa”, contou a moradora Adriana Francisco.

Nas ruas Dinair Sigliolia, no Pousada da Esperança II; Benedito Raimundo de Matos e Santo Garcia, no Pousada da Esperança I; e Juvenal de Souza, na Vila São Paulo, a situação se repetiu, a exemplo de muitos outros locais da cidade. “O pessoal está todo apavorado”, destacou o morador Sinval Davi da Silva.

As erosões foram agravadas pela chuva e muitas casas ficaram expostas a situações de risco. Na rua Benedito Raimundo de Barros, uma residência ficou a um metro de um barranco. “Tem crianças na casa e os moradores não abandonam porque não têm para onde ir”, diz a vizinha Nina Gonçalves.

O buraco, segundo a moradora Lia Batista, já existia há dois meses e foi aumentado em poucos minutos pela chuva. “Agora não tem nem rua mais. As casas podem cair”, frisa. Reclamação semelhante se repetiu em relação à rua Professor Oscar Augusto Guele, no Pousada da Esperança I.

A gravidade e numerosidade das erosões ilhou muitas casas de bairros periféricos. Assim como caminhões do Corpo de Bombeiros, equipes do Jornal da Cidade não conseguiram registrar determinadas situações devido à dificuldade de acesso.

Alagamentos

As vias de ligação entre muitos bairros da cidade também foram afetadas pela chuva. Parte da ponte de acesso ao Mary Dota, que estava sendo reparada pela Secretaria Municipal de Obras em virtude das chuvas de janeiro, foi levada pela enxurrada. O local foi interditado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e, mais uma vez, os motoristas que passavam pelo local foram obrigados a desviar.

Na avenida Décio Hermes de Oliveira Coragem, que liga o Jardim Beija-Flor ao Jardim Flórida, a situação foi semelhante. O leito do rio subiu, cobriu a pista e levou parte do asfalto, segundo Roberto Lima, da associação de moradores.

Na rua São Sebastião, no Parque Nova Esperança, e na avenida Daniel Pacífico, nas proximidades da Favela São Manoel, o trânsito ficou impedido porque o Córrego da Grama transbordou.

Da mesma forma, o Córrego Águas do Sobrado transbordou na altura da rua José Bonifácio, que liga o Jardim Godoy ao Jardim Bela Vista. O local foi interditado pela Regional Administrativa Bela Vista. “Em dois minutos, a rua estava forrada de água”, descreveu Alessandra Garcia da Costa.

Assim como rios e córregos, a represa da Quinta da Bela Olinda transbordou. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil foram acionados para garantir a segurança das pessoas no local.

Outros tradicionais pontos de alagamento da cidade não fugiram à regra durante a chuva de ontem. Entre eles, estão diversos trechos das avenidas Nações Unidas, Nuno de Assis e Alfredo Maia.

No quilômetro 347 rodovia Bauru-Marília, uma equipe do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) foi acionada para conter o barro que invadiu a pista durante a chuva.