08 de julho de 2026
Bairros

Água suja é atribuída à quebra da rede

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Receber água suja em casa é um problema para moradores de diversas regiões da cidade. De repente, o líquido ganha uma coloração escura, como se estivesse com ferrugem ou terra. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) alega que não há como impedir e os moradores ficam sem uma solução.

“O problema existe há seis anos. A água vem suja duas ou três vezes por semana. A gente liga para o DAE, eles vêm, tiram a água, lavam a caixa, enchem de novo, mas não arrumam, só dão desculpas”, relata a dona de casa Catarina de Moraes Zagatto, 43 anos.

Moradora da Vila Nova Paulista, ela conta que, em outubro do ano passado, foi orientada pelo DAE a instalar um filtro junto ao hidrômetro da residência. “Nem isso resolveu, a sujeira passa do mesmo jeito. E quando a gente tira o filtro para lavar, tem que levar ao posto para dar uma ducha, de tanta sujeira. Para se ter uma idéia, o filtro tem que ser trocado a cada seis meses. Não tem quatro que eu pus aqui e já tenho que trocar”, completa.

A moradora diz que já processou o DAE pelo estrago de uma máquina de lavar roupas e que vários vizinhos já tiveram problema semelhante. “Se a gente não pagar, eles cortam, mas ninguém vê o quanto a gente gasta com produtos de limpeza e água jogada fora”, conclui.

Presidente e diretores do DAE confirmam o problema e explicam que isso acontece em duas circunstâncias. A primeira é quando a tubulação quebra. A pressão da água carrega a terra para dentro do cano e suja a rede de toda uma região. Quando acionados, os funcionários interrompem o abastecimento, fazem a manutenção do local, lavam a rede e normalizam o abastecimento.

“O que acontece é que os moradores querem uma solução para isso. Querem que a gente não deixe entrar terra na tubulação. Mas os canos ficam debaixo da terra e, se quebram, a vazão da água vai levar terra junto. Infelizmente, eles quebram e é impossível evitar”, afirma o assessor da Presidência, Wilson Dionísio.

O diretor da Divisão Técnica, Paulo Roberto Siecola, completa, dizendo que o DAE faz cerca de 3 mil manutenções da rede de abastecimento por mês e que este índice sobe para mais de 3,5 mil em períodos de chuva. Ele explica que a água deixa os canos expostos e sem apoio. O peso da água ou mesmo atos de vandalismo (leia mais na página 4) quebram a tubulação, resultando em desabastecimento.

O segundo tipo de água suja aparece nos bairros mais antigos da cidade, onde a tubulação é velha. Com o tempo, minerais encontrados na própria água acumulam-se nas paredes do cano, formando uma camada parecida com rocha. Um aumento súbito da pressão ou um jato de água após algum tempo de interrupção do fornecimento podem descolar este material, “sujando” a água.

O DAE alega que a única solução para este caso seria trocar toda a tubulação velha por canos de PVC, o que não poderia ser feito de imediato. Mas garante que, apesar do aspecto escuro, os minerais não causam qualquer prejuízo à saúde.