A erosão aberta no Pousada da Esperança I pelas chuvas das últimas semanas, além de colocar em risco casas e centenas de moradores, está ameaçando uma torre da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que sustenta as linhas de transmissão de energia elétrica. A Defesa Civil teme a possibilidade de um blecaute caso elas sejam atingidas.
O cenário é temerário. O buraco - fruto da falta de infra-estrutura da cidade, aliada à intensidade das chuvas - estende-se por mais de um quilômetro e, literalmente, divide o bairro. Em alguns pontos, a erosão chega a 12 metros de profundidade.
O buraco da rua Benedito Raimundo de Matos, que há poucos dias era apenas mais um entre os diversos da cidade, com poucos metros de extensão, tornou-se, em minutos, um “ponto turístico†do bairro. Na manhã de ontem, centenas de pessoas aglomeravam-se nas proximidades para ver de perto o estrago que invadiu duas casas e desabrigou 84 pessoas.
De acordo com a Defesa Civil de Bauru, as pessoas cujas casas foram interditadas por medida de segurança não foram para alojamentos. Elas foram socorridas por parentes e amigos.
“Quando era um buraquinho e nós reclamamos, eles não vieram. Em poucos dias, abriu tudo isso. Eu estou aqui há oito anos e nunca vi issoâ€, desabafa o morador Sinval Davi da Silva, da associação de moradores.
O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, acredita que serão necessários de 1.500 a 2.000 caminhões de terra para fechar a grande erosão. Ele explica que o novo buraco mede cerca de 450 metros, mas cruzou uma antiga erosão do Pousada da Esperança I. Juntas, agora elas têm mais de um quilômetro de extensão.
Torre
A torre da Cesp que corre o risco de ser atingida pela erosão está a poucos metros de uma das margens do buraco. De acordo com Brito, as linhas de transmissão de energia estão sob observação e poderão sofrer intervenção a qualquer momento. O objetivo é prevenir um eventual “apagãoâ€, cuja possibilidade não está descartada.
“Ontem (anteontem), deu a impressão de que, se chovesse mais um pouco, a torre seria afetada. Mas ela está bem calçada e é projetada para essas eventualidades, assim como para ventos fortesâ€, assegura Brito.
Com a intenção de evitar que outras casas sejam “engolidas†pela erosão, a Prefeitura Municipal disponibilizou, na manhã de ontem, maquinário e funcionários para aterrar o buraco.
A água levou, junto com a terra, grande parte das tubulações de água e esgoto do bairro. Ao fundo da erosão, junto com a água suja que corria como um leito de rio, era possível observar tijolos, pedaços de concreto das casas afetadas e até mesmo brinquedos.
Os moradores afirmam que não há água em algumas casas. Quando chega água às torneiras, elas estão sujas. “Não sabemos se é água da chuva ou se é esgoto que sai em casaâ€, reclama Silva.
Outra preocupação da comunidade local é a segurança das crianças, que arriscam-se no buraco para brincar com a água que escorre da tubulação quebrada. “Nem pedestre passa. A coisa está feiaâ€, lamenta Luciana Bahia Sodré, moradora do bairro.
Segundo Silva, os lotes do Pousada da Esperança I foram desvalorizados. Imóveis que há pouco tempo custavam R$ 8 mil, agora não chegam a valer R$ 2 mil.
“A chuva de ontem foi feia para nós. Da dó das pessoas que moram nessa rua. Eu nunca vi issoâ€, observa o morador Luís Alberto Klaus Filho, 11 anos.
“Eu também nunca vi essa turma (funcionários públicos) trabalhando aqui quando acontecem essas coisas. Essa é a primeira vezâ€, alfineta Júlio César Dias Florindo, 10 anos.
Bairros
Em outros pontos da cidade, como o Parque Jaraguá e o Jardim Progresso, a situação também é preocupante. Na rua Gabriel Rabelo de Andrade, apesar de asfaltada, os buracos são inúmeros. Em alguns casos, o acesso às ruas transversais está impedido e os moradores têm que dar voltas e fazer malabarismos para chegar às suas casas.
Um outro grande buraco foi aberto na rua Assir Reza, no Jardim Progresso. De acordo com o morador Rubens de Souza, alguns carros foram danificados na tentativa de passar pelo local. Na manhã de ontem, a Prefeitura Municipal disponibilizou caminhões de terra para tapar a erosão.