08 de julho de 2026
Regional

Souza diz desconhecer empreiteiro

Por Andréa Mesquita | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - O presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura, Ademir de Souza, nega conhecer as pessoas com quem estava no Restaurante Velho Armazém, na última quinta-feira. Ele também diz que não saiu do restaurante porque o fotógrafo da Tribuna, Daniel Barreto, havia começado a registrar a cena, mas sim para dirigir-se a outro local, onde iria conversar com o vereador petista Amarildo Donizete Barbosa, da cidade de Matão. “Não saí na hora em que o fotógrafo tirou a foto, mas quando ele estava entrando no restaurante. Ele ficou conversando e discutindo com os outros; eu estava indo embora”, afirma.

Os fotógrafos de A Tribuna, de Araraquara, foram agredidos por um seguranca e por Luiz Wolgran Teixeira Ferreira, consultor do prefeito Edinho Silva (PT), na última quinta-feira, quando iriam, possivelmente, fotografar um jantar em que o consultor participava.

Souza conta que havia deixado a Prefeitura na quinta-feira juntamente com o consultor Luiz Wolgran Teixeira Ferreira, e estava indo para o restaurante, quando recebeu um telefonema de Amarildo, dizendo que precisava conversar com ele. Assim que chegou ao Velho Armazém ele encontrou o vereador, e ficou por cerca de 20 minutos na mesa, em companhia de Wolgran e seus amigos.

Depois, seguiu para outro restaurante, onde ficou até as 23h30.

“Não saí da mesa correndo, saí com o Amarildo. Não sei quem estava na mesa, fui com o Wolgran, chegamos e sentamos com seus amigos. Você tem de perguntar a eles por que agrediram o fotógrafo. Não participei da discussão, não estava lá e saí antes de ele tirar a primeira foto”.

O presidente da Comissão diz que ficou surpreso de ter sido acusado de estar jantando com membros da empresa Limp Leão. “Agora, ainda que eu estivesse, não vejo problema nenhum”, afirma.

Contradições

O empresário Pedro Tedde, que acompanhou os acontecimentos de quinta-feira, aponta algumas contradições na versão de Souza. “Eu estava lá com alguns amigos, por volta das 19h30, quando vimos entrar sete ou oito pessoas no local e, entre elas, o único que eu conhecia, o presidente da Comissão de Licitações”.

Segundo Tedde, o grupo encaminhou-se para a ala de jantar do Velho Armazém. Ele diz que, passados cerca 20 minutos, viu entrar no restaurante e seguir para os fundos o fotógrafo da Tribuna.

“Passados uns dez minutos, o Ademir, juntamente com outro rapaz, veio de lá, passou de novo em frente a nossa mesa, e sentou em uma mesa na frente do bar, ao lado da porta. Ele saiu depois que o Daniel entrou, mas não vi se foi depois da foto ser feita”.

O empresário diz que nesse instante uma pessoa, que ele não está autorizado a identificar, e que estava sentada em um local onde tinha visão daquelas mesas, veio até seu grupo e contou que o fotógrafo estava sendo agredido.

“Eu e meus amigos chegamos lá, o fotógrafo estava cercado, aí vimos ele ir ao telefone chamar alguém, voltamos para a mesa, quando chegou um carro da polícia. Só não sei precisar se o Ademir saiu antes de chegar a Polícia ou depois. Acho que a hora que ele viu que ‘azedou a coisa’, ele veio para frente, para argumentar depois que estava em outra mesa”.

Tedde fala que conversou com Barreto para que ele fizesse o Boletim de Ocorrência (BO) e garantiu ser testemunha do que havia presenciado. “Agora, como cidadão, acho que o Executivo deve três satisfações: por que o Ademir se levantou da mesa, mudou de ambiente, e logo em seguida foi embora, ao ver o fotógrafo? Por que essas pessoas, que são no mínimo conhecidas do presidente da Comissão, e do consultor da Prefeitura, se revoltaram a tal ponto de cercar, arrancar a máquina, e ameaçar o fotógrafo? E terceiro: por que uma outra pessoa da mesa agrediu o outro fotógrafo e quebrou sua máquina? O que há por trás disso?”

Durante um programa de rádio, um dos diretores da Limp Leão, Silvio Caparelli, afirmou que nem ele nem nenhum executivo da empresa estava no restaurante. Neste sentido, o jornal a Tribuna corrige a informação de que executivos da Limp Leão estavam na mesa, porém fontes da jornal asseguram que ele teria chegado junto com o grupo ao restaurante, mas não entrado no local.